Pandemia terá impacto negativo no déficit primário

Paulo Feldmann comenta como o auxílio emergencial ajudou a economia em um momento tão complicado

A pandemia enfrentada atualmente no mundo afetou diversas áreas da vida, entre elas, a econômica. Seja pelos gastos elevados para combater a pandemia ou pela estimativa de queda do Produto Interno Bruto (PIB) de diversos países, a economia mundial terá um desempenho negativo que mudará o rumo de alguns países.

Estes efeitos também serão sentidos no Brasil, e o índice afetado mais comentado é o do déficit primário. “Existem duas coisas que são importantes, que são o déficit primário e o déficit nominal”, comenta Paulo Feldmann, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP). O nominal é usado no mundo inteiro e entra tudo o que o governo arrecada menos tudo o que ele gasta. Já o primário, de acordo com o professor, foi inventado no Brasil para que os juros não entrem na conta. A estimativa é que os juros este ano sejam de aproximadamente R$ 350 bilhões.

Os gastos envolvidos neste valor abrangem compra de equipamentos médicos para o Sistema Único de Saúde (SUS), apoio aos governos estaduais, programas de apoio a pequenas empresas e, especialmente, o auxílio emergencial. “O auxílio emergencial criou uma renda para a população mais pobre que está ativando o consumo de uma forma muito intensa”, comenta Feldmann sobre como o auxílio emergencial ajudou a economia em um momento tão complicado.

Inclusive este aumento de consumo faz com que o professor acredite que as estimativas possam ser melhores do que as divulgadas anteriormente e que o déficit primário seja menor. Tendo um semestre inteiro ainda pela frente e com o consumo se estabilizando novamente, o que gera arrecadação de impostos, essa ideia parece fazer sentido e dar maiores esperanças de um futuro econômico melhor, apesar de ainda faltar um programa robusto de geração de empregos.

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