Pandemia pode ter influenciado redução de empregados na agropecuária

Felipe Almeida comenta que o pior já passou e que áreas como pecuária e grãos ainda podem segurar os empregos no setor

jorusp

Se pensarmos nos impactos ocorridos devido à pandemia, a agropecuária brasileira conseguiu ter bons resultados se comparada a outros setores da economia. No entanto, ao analisarmos o número de pessoas ocupadas no setor, durante o trimestre que abrange os meses de março a maio, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com apoio das informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), observou uma queda de 4,4% do que era esperado para esta época.

“Neste trimestre móvel de março, abril e maio de 2020, a gente teve aproximadamente 7,9 milhões de pessoas ocupadas no setor agropecuário. Este número é o menor nível da população ocupada do setor desde 2012, em que se deu o início da série, e se compararmos esse número com o trimestre imediatamente anterior houve uma redução de 2,1%”, comenta Felipe Miranda de Souza Almeida, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba, em entrevista ao Jornal da USP no Ar. Em relação ao mesmo trimestre móvel de 2019, a queda foi de expressivos 6,8%.

O pesquisador comenta que ao analisar os dados da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) é possível ver diferenças de até 100 mil pessoas entre os trimestres, e que quando ocorrem choques não antecipados (questões climáticas, ou até mesmo uma pandemia) há diferenças de até 200 mil pessoas. Considerando o valor de 4,4% do trimestre móvel citado, foi a primeira vez que o índice mostrou um número maior que 300 mil pessoas (365 mil pessoas neste caso). Almeida explica que esse choque significativo sugere impactos decorrentes do coronavírus.

Apesar de deixar clara a questão da imprevisibilidade ao pensar no futuro próximo, ele cita que a impressão em torno dos empregos relacionados à agropecuária é que o pior já passou. Mesmo havendo possíveis perdas, estas seriam de menor magnitude se comparadas ao que o setor já enfrentou nesses meses. Essa impressão se baseia em áreas como pecuária e grãos que estão funcionando bem e que seriam capazes de segurar os empregos.

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.


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