Pandemia frustra concurseiros com o adiamento de provas

Mudanças na rotina de estudos e incertezas sobre a retomada das provas são desafios que os candidatos precisam enfrentar

 21/09/2020 - Publicado há 2 anos  Atualizado: 01/10/2020 as 11:09
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Para muitas pessoas, o sonho de ser aprovado num concurso público, mesmo com as inscrições efetuadas, teve que ser adiado. A pandemia da covid-19, com exigência de distanciamento social e quarentena, obrigou à remarcação e até à suspensão de algumas provas, frustrando os que se preparavam para os exames.

Foi assim com Gustavo Carrijo Guimarães, de 24 anos e estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). O jovem iniciou em abril sua preparação para o concurso público do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Uberlândia (IPREMU), previsto para acontecer em maio. Porém, vendo o adiamento da prova, precisou reorganizar a rotina de estudos para o concurso com a da faculdade.  

Gustavo Carrijo Guimarães – Foto: Arquivo pessoal

Com essa dificuldade, muitas vezes, o jovem estuda o que mais chama a sua atenção e também o que é mais necessário para as provas. No entanto, mesmo diante de dificuldades, desistir dos estudos não faz parte dos planos de Guimarães, que também é pai e no momento está desempregado. Além disso, o jovem se dedica para o concurso público da Receita Federal, seu grande objetivo.

Para o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP, Amaury Patrick Gremaud, existem duas questões que explicam o adiamento e a suspensão dos concursos públicos durante a pandemia: a logística para a realização física das provas, levando em conta as medidas contra o novo coronavírus, e as razões financeiras e econômicas como impedimento para a contratações de novos cargos. 

A Fundação para o Vestibular da Universidade Estadual Paulista (VUNESP), é uma das bancas que precisaram suspender a aplicação de concursos. No total, foram 48 provas, com mais de 250 mil candidatos inscritos, explica Antonio Nivaldo Hespanhol, diretor-presidente da Fundação. “Temos feito apenas algumas provas de residência médica e vestibulares que envolvem poucos candidatos” informa. “A Vunesp e os órgãos para os quais serão realizados os concursos estão em sintonia para a remarcação das provas no momento oportuno”.

Assim, a banca estabeleceu protocolos de aplicações de provas com critérios para todas as etapas do concurso, “desde a seleção de locais até a distribuição das salas”, respeitando o “distanciamento entre as pessoas, uso de máscaras e a disponibilidade de álcool em gel”. Dessa forma, os protocolos são adequados periodicamente, segundo as determinações do Ministério da Saúde e Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde.

Felipe Junqueira d’Ávila Ribeiro – Foto: Arquivo pessoal

Outro prejudicado pelo adiamento dos concursos foi o advogado Felipe Junqueira d’Ávila Ribeiro, de 31 anos, de Ribeirão Preto. Há seis anos, Ribeiro busca a aprovação no concurso público para magistratura. Com expectativas para este ano, o advogado se viu em meio a um futuro incerto. “Eu tinha duas provas marcadas. Uma em março e outra em maio. A de março foi desmarcada e não tem data, que seria a prova de juiz do Rio Grande do Sul”, afirma Ribeiro, que está com a passagem para a viagem já comprada. 

“E a de maio foi remarcada agora para outubro, que é a segunda fase de juiz do Mato Grosso do Sul”, explica o advogado. Os estudos para a prova continuam, mesmo diante de  incertezas. “Até o último momento a organizadora pode emitir um comunicado dizendo que a prova foi adiada de novo”, afirma. Porém, mesmo com dificuldades em manter uma rotina de estudos em casa, Felipe acredita estar indo bem e não pensa em desistir de seu objetivo.

Por isso, em meio a tantas incertezas dos concurseiros sobre o futuro e a vida profissional, Gremaud diz que é importante que os órgãos realizadores de concursos sejam transparentes sobre a retomada das provas. 

Ouça as entrevistas na íntegra no player acima  com Amaury Patrick Gremaud da FEA-RP; Antonio Nivaldo Hespanhol da Vunesp, e Gustavo Carrijo Guimarães e Felipe Junqueira d’Ávila Ribeiro. 

 


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