Países do Brics devem lutar pelo fim das barreiras comerciais

Professor diz que bloco pode dar exemplos de multilateralismo em cenário de guerra comercial entre EUA e China

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Aconteceu em Joanesburgo, na África do Sul, o décimo encontro do Brics – bloco composto de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – onde foram discutidas propostas de integração entre os países e as barreiras comerciais impostas pelos EUA. O presidente Michel Temer defendeu o livre comércio entre os países membros da cúpula e anunciou a instalação, em Joanesburgo, de um centro de treinamento da Embraer, um escritório do Novo Banco de Desenvolvimento em São Paulo, além de um departamento de pesquisas em vacinas.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, o coordenador-geral do Grupo de Estudos sobre os Brics (Gebrics) da USP e professor de Direito Internacional da Faculdade de Direito (FD) da USP, Paulo Borba Casella, faz uma avaliação sobre o encontro internacional e sobre a afirmação do bloco no cenário mundial diante de uma década de atuação.

Casella destaca as semelhanças entre os cinco países quando se trata do modo como se relacionam com instituições como o Banco Mundial, com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e com a Organização das Nações Unidas (ONU), por exemplo. Além disso, afirma que as grandes mudanças no sistema internacional aconteceram depois de guerras, e o Brics é uma mudança fora deste cenário com a concepção de que o atual sistema traz uma contribuição, mas é preciso aperfeiçoá-lo em questões como as instituições financeiras multilaterais.

Para ele, esse é um dos principais pontos, pois mostra a importância da construção do Novo Banco de Desenvolvimento, que financia projetos de desenvolvimento tanto para o Brics como para outros países e terá uma subsede em São Paulo.

Um dos principais assuntos discutidos pelo encontro também foi a relação entre os Estados Unidos e a China. Para o coordenador do Gebrics, as barreiras comerciais impostas pelos EUA são um grande erro, que não trazem benefícios para nenhum país. Nesse sentido, a forma do Brics influenciar nessa relação é por meio do exemplo de atuação entre os países do grupo, fazendo funcionar as instituições multilaterais.

A relação da China com o Brasil também vem se consolidando nos últimos anos, e uma questão também debatida é a ampliação de negócios através da diminuição de sobretaxas de produtos brasileiros, como na exportação de carne de frango e açúcar. A próxima reunião do bloco será sediada no Brasil, e, de acordo com Casella, esse pode ser um momento propício para essa proposta ser pleiteada. “O quanto isso pode ser alcançado depende do jogo do comércio internacional e das negociações internacionais, que têm como base a reciprocidade.” Os acordos geralmente são firmados através de negociações onde ambas as partes sejam contempladas.

Paulo Casella participou do seminário sobre a contribuição do Brics para a governança global, realizado pela Escola Nacional de Governo da África do Sul, que contava com a participação de acadêmicos, professores e pesquisadores dos cinco países, sendo sete brasileiros. Ele comenta que foi levantada a questão de desigualdade de gênero e proteção de minorias por uma professora da África do Sul, âmbitos que têm pouco espaço de discussão na Rússia, China e Índia.

O Gebrics tem se mostrado um canal importante de estudo e diálogo com os países componentes do bloco internacional, comenta o professor. Nos dias 29, 30 e 31 de outubro, o grupo realizará a Jornada Brics, na Faculdade de Direito da USP.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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