Organização Mundial da Saúde classifica como trágica a nova onda de coronavírus no Brasil

Oswaldo Tanaka atribui o aumento do número de casos de covid-19 no Brasil ao comportamento da população, cujo resultado tem sido a saturação dos hospitais

 02/03/2021 - Publicado há 11 meses  Atualizado: 11/03/2021 as 19:11
A população se mostra incapaz de manter o isolamento social e outras medidas sanitárias como o uso de máscaras – Imagem: Reprodução/ Pixabay

 

Uma nova onda de coronavírus assola o Brasil, com médias de mais de 1.400 mortes por dia. O País já está há um período muito prolongado com taxas altas de casos e mortes e, segundo a Organização Mundial da Saúde, passa pela quarta onda. Documento apresentado por secretários de saúde defendem o lockdown em Estados com ocupação de leitos de covid superior a 85%.

O aumento das probabilidades de infecção e infestação em ambientes com grande aglomeração é decorrente de uma mudança substancial do comportamento da população, que se mostra incapaz de manter o isolamento social e outras medidas sanitárias como o uso de máscaras. É o que diz o professor Oswaldo Tanaka, diretor da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição. “Essa situação foi fortemente agravada pela incapacidade do governo central em providenciar vacinas suficientes para que nós pudéssemos ter uma cobertura vacinal que protegesse a população”, afirma Tanaka.

O professor defende que as esferas federal, estadual e municipal trabalhem de forma integrada e concomitantemente para tentar as melhores alternativas de acordo com cada região, o que não está acontecendo, porque o governo federal estaria reagindo como se os lockdowns fossem atribuição dos governadores, e não parte de um plano nacional. Desde a Constituição de 1988, houve um pacto entre as três esferas de gestão, porém, neste momento de crise, está havendo uma ruptura.

O ano de 2021 está em desvantagem, já que em 2020 a população estava mais mobilizada, houve um aumento da capacidade de criar leitos de campanha, elevar o número de UTIs de forma acelerada, além da transferência de recursos financeiros tanto para apoio à população quanto para manter recursos na saúde. Segundo o professor, “estamos pior, porque o Ministério da Saúde disse que não tem mais recurso emergencial, houve muito mais descredenciamento de leitos de UTI e a própria postura do governo federal em relação ao lockdown”, a única alternativa efetiva para diminuir a velocidade de expansão da segunda onda.

Controle da pandemia, ou a falta de controle

Desde março de 2020 o Jornal da USP e a Rádio USP estão trazendo especialistas de várias áreas de estudo com análises sobre a situação da pandemia no Brasil e no mundo. Todos falam da falta de gestão do Ministério da Saúde, da falta de políticas públicas e do comportamento da população em aglomerações e o não uso de máscaras. A seguir algumas das matérias que publicamos.

 

 


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar é uma parceria da Rádio USP com a Escola Politécnica, a Faculdade de Medicina e o Instituto de Estudos Avançados. No ar, pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 10h45, 14h, 15h e às 16h45. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. 


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.