O seu peso mudou em 2019 – entenda por quê

Mudanças no Sistema Internacional de Unidades não afetam nosso cotidiano, mas são de grande relevância para a ciência

 05/06/2019 - Publicado há 2 anos
Foto: evgeniafor/Pixabay-CC

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Sem esforço nenhum, todo mundo emagreceu um pouquinho ao longo dos últimos anos. É que a medida que definia o quilo até pouco tempo atrás era o peso de um cilindro guardado a vácuo, em Paris, desde 1889. Este cilindro, assim como qualquer outro objeto, acaba perdendo átomos ou mesmo absorvendo moléculas que estão no ar – por isso, em 100 anos, ele ficou 50 microgramas mais “magro”.

Um simples contato por uma pessoa usando luvas para fazer uma calibração ou limpeza nesse protótipo já é capaz de fazê-lo ganhar ou perder massa. Como todas as balanças do mundo são graduadas de acordo com esse quilo original, elas acabam gerando dados incorretos.

Mas desde o dia 20 de maio de 2019, essa constante fundamental passou a ser calculada usando uma grandeza chamada de constante de Planck. Ela relaciona peso à corrente elétrica e não está sujeita à ação do tempo, como aquele cilindro. “Cada vez ficamos mais exigentes em termos dessas unidades de medida. Talvez, para a época da Revolução Francesa, aquele padrão fosse suficiente, mas agora a questão é mais complicada”, afirma o professor Daniel Varela Magalhães, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP.

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Numa balança comum, 50 microgramas não fazem a menor diferença – afinal, são milionésimos de grama – mas para a pesquisa científica, a diferença pode ser enorme. “As doses de medicamentos são feitas com quantidades muito pequenas de produtos e substratos, então erros de poucos miligramas são inaceitáveis”, exemplifica o professor.

Um dos principais temas com o qual Varela trabalha são os padrões atômicos de tempo e frequência – ele é responsável pelo laboratório da USP que ajuda a definir a hora mundial. A duração do segundo, inclusive, já passou pela mesma mudança pela qual o quilo está passando agora.
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Foto: Elsemargriet/ Pixabay-CC

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Segundo o pesquisador, a discussão sobre esse tipo de alteração é feita com antecedência, envolvendo vários países, para encontrar a melhor forma de definir um sistema internacional. “É uma mudança que é exigida de tempos em tempos, as pessoas não precisam ficar aterrorizadas”, diz. Ele esclarece que a mudança é imperceptível para fins comerciais e econômicos. 

Em 1987, por exemplo, foi redefinida a medida do metro, que passou a ser a distância percorrida pela luz em 1/299.792.458 segundo. Até então a referência era uma barra de platina.

O quilo era a última unidade fundamental cuja definição ainda dependia de um objeto físico. A decisão foi realizada em uma conferência internacional que também determinou mudanças na definição do mol (que mede quantidade de substâncias), do kelvin (uma das medidas de temperatura) e do ampere (unidade de medida de corrente elétrica).

Com informações de Rui Sintra e Lilian Tarin, da Assessoria de Comunicação do IFSC


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