O esporte como possibilidade de abrir caminho para a paz e seu papel na sociedade

Para Ana Cristina Zimmermann, o esporte e os jogos de modo geral não são apenas uma ferramenta pura e simples, mas expressões importantes da nossa cultura

 Publicado: 24/09/2021
O esporte como caminho da paz não é uma relação linear simples de investimento e retorno imediato – Foto: Pavel Danilyuk/Pexels

O artigo Brincadeiras, esportes e diálogos como caminhos para a paz?, que foi publicado na revista internacional Peace Review: A Journal of Social Justice, reforça a ideia do esporte como caminho para paz e seu papel na sociedade para desenvolvimento de habilidades coletivas, como o diálogo e o respeito ao próximo. O ensaio foi elaborado pela professora da Faculdade de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, Ana Cristina Zimmermann, em parceria com o pesquisador da Universidade de Nottingham W. John Morgan.

“Não é possível pensar de forma simplificada que toda prática esportiva vai desenvolver sociedades pacíficas, até porque os esportes também refletem vários conflitos presentes na sociedade, como preconceitos e violências”, explica Ana sobre o questionamento do ensaio e a relação do esporte com a paz ao Jornal da USP no Ar 1° Edição. Ela também destaca que, a partir da ideia geral de jogo, que pressupõe um desafio em comum entre as pessoas, e as diferentes práticas corporais, das mais simples às de alto rendimento, cria-se um espaço para o encontro de pessoas dispostas a alcançar um objetivo comum e, consequentemente, ao diálogo. “Essa disposição não é livre de conflitos. Não significa que, a partir do início dos jogos, os conflitos ficam de fora, não é tão simples, mas sim que eles se colocam em outros termos. Nós precisamos encontras outras saídas que não seja a violência para resolvê-los”, destaca.

Sobre as bases éticas da sociedade, Ana reforça que o esporte como caminho da paz não é uma relação linear simples de investimento e retorno imediato. “Nós precisamos pensar também que tipo de esportes e sociedade nós queremos”, avalia. Ainda de acordo com Ana, é preciso estar atento constantemente às questões éticas no esporte. “O esporte e os jogos de modo geral não são apenas uma ferramenta pura e simples. Eles são expressões importantes da nossa cultura que promove as possibilidades de encontro e diálogo”, comenta.

As relações interpessoais nos jogos também são essenciais no sentido de buscar recursos para enfrentar desafios. “Quando eu tenho bons oponentes, eu posso ter bons resultados. Essa perspectiva deixa de ver o outro como adversário, mas sim como um indivíduo ou grupo de pessoas que permite o desenvolvimento do jogo”, explica. Ana conclui que existe muita potencialidade na possibilidade de enxergar o outro e a diferença como fator enriquecedor durante essa relação.

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