“Nuvem de gafanhotos não deve chegar ao Brasil”

Quem garante é o especialista Sinval Silveira Neto (Esalq), que explica que os insetos voam para uma direção preestabelecida – no caso, o Uruguai

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Na última semana, agricultores da região Sul do Brasil ficaram preocupados com o alerta da possível chegada de uma nuvem de gafanhotos que pudesse causar prejuízos na lavoura, ameaça que não se concretizou nem deverá se concretizar, na opinião do professor Sinval Silveira Neto, do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). O professor diz que nuvens de gafanhotos não são um fenômeno isolado – uma das primeiras que se têm notícia ocorreu aqui por volta de 1947/1948, há mais de 70 anos, portanto. Esses insetos são chamados de gafanhotos migradores sul-americanos e próprios da região do Chaco (Paraguai), estando presentes ainda hoje ali.

“Nuvens de gafanhotos não são um fenômeno isolado “, diz professor Sinval Silveira Neto

Ele explica, ainda, que algumas gerações desses insetos são sedentárias, ao passo que outras, motivadas por fatores como falta de alimentação, tornam-se, periodicamente, migrantes, momento no qual podem empreender voos para além de seu território de origem. A atual nuvem penetrou pelo norte da Argentina, direcionando-se para o Uruguai e não deve vir ao Brasil, pois, quando os gafanhotos executam o voo, eles têm uma direção preestabelecida, uma vez que contam com fatores como a direção do vento para se deslocarem com maior facilidade. Portanto, de acordo com o especialista, essa nuvem deve parar no Uruguai e por lá permanecer, até porque a atual frente fria age como uma espécie de freio, uma vez que tais insetos precisam de tempo quente para efetuar seus deslocamentos.

O objetivo dessas nuvens de gafanhotos – que são bastante extensas – é a alimentação e também a reprodução, por isso pousam em regiões agrícolas, onde promovem grandes devastações. Para controlar essa massa de gafanhotos, ensina o professor, é necessário acompanhá-los em seu voo e verificar onde pretendem pousar. Daí sim, quando estiverem no solo, alimentando-se, dar início ao combate, com a utilização de inseticidas, que devem ser pulverizados sobre a colônia com o uso de tratores ou aviões, mas sempre durante à noite, quando estão se alimentando, já que, durante o dia, eles dão prosseguimento à sua atividade migratória. As ninfas resultantes da reprodução desses insetos também devem ser atacadas com a pulverização do solo, onde a fêmea faz a postura. Os ovos eclodem após cerca de 20 dias e, depois de 30 dias, os filhotes já começam a se movimentar aos saltos (razão pela qual são chamados de saltões) e tendem a se deslocar no mesmo sentido da nuvem que lhes deu origem.

A entrevista feita pelo jornalista Caio Albuquerque com o professor Sênior do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq, Sinval Silveira Neto está no podcast Estação Esalq.

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