Novos usuários de internet são mais propensos a cair em golpes virtuais

Segundo Marcos Simplício, pessoas que não costumam interagir online são mais propensas a acreditar em mensagens falsas por falta de informação ou por ignorar a navegação segura

 20/11/2020 - Publicado há 1 ano  Atualizado: 24/11/2020 as 11:40

A necessidade de distanciamento social causada pela pandemia tornou a internet o principal meio para dar continuidade ao trabalho ou estudos, o que revela a cibersegurança como fundamental para que a navegação ocorra sem qualquer prejuízo aos usuários. Segundo especialista, os golpes aumentaram devido à maior quantidade de pessoas online, portanto, é essencial pensar em ferramentas de segurança que antecedam a criatividade dos fraudadores e protejam os usuários.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, o professor Marcos Simplício, do Departamento de Engenharia da Computação da Escola Politécnica (POLI) da USP, explica que os golpes acontecem principalmente com pessoas que não costumam interagir online, porque são mais propensas a acreditar em mensagens falsas: “Aumentou em 80% o número de phishing, aqueles sites falsos em que a pessoa é levada a crer que está no site de um banco ou de uma grande loja de varejo, mas, na verdade, está entregando a senha ou o cartão para um fraudador. E aumentou em 75% os golpes de falsos motoboys de bancos que vão recolher o cartão para fazer alguma atualização ou algo do gênero”.

Os golpistas abusam da criatividade, o que dificulta a caça por fraudes. Segundo o professor Simplício, para garantir a segurança dos usuários, preza-se pelo uso de duas abordagens que devem ser pensadas ainda na concepção dos projetos: a segurança por projeto e o modelo de Confiança Zero.  A primeira consiste em planejar a segurança de forma integrada ao projeto ainda na concepção. Já o modelo da Confiança Zero é basicamente o desenvolvimento de ferramentas de segurança independentes dentro de um sistema, de modo que se uma falhar não compromete o todo. 

Para o especialista, o usuário final é mais provável de cair em golpes virtuais geralmente por falta de informação ou por ignorar a navegação segura. “Em geral é o elo mais fraco e tem bastante a ver com educação. Não é nem educação formal, mas sim ficar alerta e esperto com fraudes que acontecem na internet para não ser a próxima vítima. Só de ver notícias já recebe algumas dicas de segurança”, explica ele. “O usuário final tem que se acostumar com os mecanismos de segurança e os projetistas têm que fazer coisas mais fáceis”.

Os sistemas dos celulares são um pouco mais seguros quando comparados aos desktops. Conforme Simplício, os celulares possuem mais barreiras de acesso aos aplicativos, mas não impedem a necessidade de ferramentas de segurança adicionais também usadas em computadores, como o uso de antivírus para evitar instalar aplicativos de software malicioso. “É tão essencial quanto no computador. As tecnologias usadas no desktop são de se considerar colocar no celular”, finaliza.

Ouça entrevista na íntegra pelo player acima.


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