Novo piso salarial do profissional de enfermagem aprovado na Câmara é uma conquista

Pedro Fredemir Palha aponta a importância de uma política de formação dos profissionais na melhoria da qualidade dos serviços da área

 Publicado: 26/07/2022  Atualizado: 01/08/2022 as 15:42
“Os enfermeiros, os técnicos de enfermagem e os auxiliares de enfermagem são os profissionais que mais adoeceram e morreram pela covid”, lembra Pedro Fredemir Palha – Fotomontagem com imagens de Freepik

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Piso da Enfermagem, que define o piso salarial nacional para a categoria, foi aprovada na Câmara dos Deputados e segue para promulgação. Contratados em Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), os enfermeiros terão o piso de R$ 4.750, técnicos de enfermagem contarão com R$ 3.325 e auxiliares de enfermagem e parteiras, com R$ 2.375. A categoria recebeu mais atenção pela atuação no combate à pandemia, mas a demanda já é de mais de 20 anos.

“É uma luta do Conselho Federal de Enfermagem e dos conselhos regionais de enfermagem, que se aliaram a algumas lideranças políticas que reconheceram […] a importância dos profissionais de enfermagem na linha de frente da pandemia”, afirma Pedro Fredemir Palha, professor do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, da qual também é diretor, ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição.

Os trabalhadores da enfermagem representam 60% da força de trabalho nos sistemas públicos, filantrópicos e privados de saúde, de acordo com o professor. “Os enfermeiros, os técnicos de enfermagem e os auxiliares de enfermagem são os profissionais que mais adoeceram e morreram pela covid”, lembra Palha. Também são eles “que permitem que os serviços de saúde se mantenham ativos e abertos para a população em geral”. Antes da pandemia, a categoria “não tinha essa visibilidade para a população”.

Outras condições de trabalho

Pedro Fredemir Palha – Foto: Currículo Lattes

A valorização dos profissionais também passa pela qualificação do ensino da maioria das escolas em enfermagem e de ensino técnico profissionalizante no Brasil. “Embora se tenha o Ministério da Educação como órgão regulador, nem sempre a qualidade da regulação desses cursos é adequada”, avisa Palha.

Outra questão necessária é uma política de formação permanente dos enfermeiros, “para que a tomada de decisão dos profissionais de enfermagem, nas diferentes atividades assistenciais e gerenciais em que eles atuam, possa ser por meio de evidências científicas”.


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