Nova modalidade de financiamento da casa própria requer cautela

Alerta é do professor Edgard Monforte Merlo ao analisar crise no setor imobiliário, que teve queda de crédito de 19,7%

A economia brasileira continua patinando na tentativa de sair da crise. Alguns indicadores parecem mostrar uma reação positiva, mas outros revelam que a retomada é árdua e está longe de chegar. Um desses indicadores é o crédito da construção civil, que no mês de maio teve queda de 19,71% em relação a maio do ano passado. O dado é do Boletim Crédito, elaborado pelo Ceper/Fundace, o Centro de Pesquisa em Economia Regional da Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia, ligado à Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP.

Para o professor Edgard Monforte Merlo, da FEA-RP, a incerteza e a insegurança do consumidor podem ser duas das causas dessa retração na busca por crédito de longo prazo. “Um dos segmentos que mais sentem a crise é o da construção civil, e sua retomada é fundamental para mostrar sinais de crescimento econômico. Mas a situação é difícil, existem 12 milhões de desempregados no Brasil”, diz o professor.

O governo sabe disso e busca alternativas para reaquecer o setor. A Caixa Econômica Federal (CEF) lançou uma nova linha de crédito imobiliário com atualização baseada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que varia em função da inflação. 

O professor Merlo diz que, a princípio, parece ser uma boa alternativa de financiamento, mas é preciso cuidado porque, como as parcelas são corrigidas em função do IPCA, a inflação sob controle mantém os valores baixos. “Se a inflação sair do controle, as prestações, como são corrigidas pela inflação, vão ficar mais caras e pode ocorrer o que já tivemos no passado, uma elevada inadimplência,” conclui.

Ouça a entrevista no link acima.

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