Nobel de Literatura teria ainda menos credibilidade sendo entregue

Para especialista, cancelamento do prêmio este ano mostra que Academia não deixará denúncias passarem em branco

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A mais antiga premiação de literatura, o Prêmio Nobel, não será entregue este ano. A Academia Sueca cancelou a entrega do prêmio após dezoito mulheres denunciarem Jean Claude Arnault, casado com uma das integrantes do comitê de escolha do vencedor do Nobel, de assédio e abuso sexual.

Ele nega todas as acusações, mas as denúncias foram suficientes para que outros membros, além de sua esposa, deixassem o comitê, que ficou sem o número mínimo de pessoas para votar. A solução encontrada pela Academia Sueca foi a de adiar a entrega do prêmio para o ano que vem, quando duas pessoas receberão o Nobel de Literatura.

Foto: Divulgação / ICAN

Em entrevista, Camila Mazi Dacome, mestre em Estudos Culturais pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, falou sobre o prestígio do Prêmio Nobel de Literatura e a importância da Academia em se posicionar de alguma maneira: “Teria sido muito pior para a imagem do prêmio se eles resolvessem ignorar a denúncia e entregá-lo mesmo assim. (…) Além de mostrar uma conversa com movimentos de outros campos culturais, é importante que a Academia se comprometa a investigar as denúncias.”

Ela fala ainda sobre a disparidade entre o número de Prêmios Nobel de Literatura entregues a homens e mulheres: De 114 premiações, foram cem homens premiados e apenas 14 mulheres. Para Camila, isso é reflexo da literatura e da sociedade como um todo.

Ouça a íntegra da entrevista no player acima.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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