Negação do PCC pelo Estado impulsionou seu crescimento

Pesquisadora diz ser um equívoco comparar a facção com grupos mafiosos, já que possuem origens e estruturas distintas

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Em entrevista à imprensa, recentemente, o promotor Lincoln Gakiya, da Operação Echelon, que investiga a estrutura do Primeiro Comando da Capital (PCC), declarou que o que falta ao PCC para se tornar uma organização mafiosa é a capacidade de lavar dinheiro, mas isso será obtido em breve, por causa do tráfico internacional. Para entender melhor a expansão do grupo e o desafio para o Estado, o Jornal da USP no Ar conversou com a pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP Camila Nunes Dias.

A pesquisadora do NEV alega ser um equívoco a comparação do promotor sobre o PCC  ser uma máfia, pois o grupo possui origem prisional e surge logo após o Massacre do Carandiru com o objetivo de denunciar a situação dos presidiários da capital paulista. De acordo com ela, integrar essa facção é uma questão de sobrevivência para muitos. Já a máfia é bem mais estruturada, com financiamento elevado e participação no mercado de investimentos.

O PCC possui origem prisional e surge logo após o Massacre do Carandiru – Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Segundo Camila, diferentemente do Comando Vermelho, o PCC cresceu de maneira organizada tornando-se o maior da América do Sul. Os dois grupos, no entanto, até 2016, eram aliados. Mas a aliança foi corrompida na busca de novos membros e, por essa razão, foi vistas, nos últimos dois anos, barbáries em presídios do Brasil. Porém, em São Paulo não ocorre esse tipo de ação justamente pelo fato de o PCC não possuir concorrência.

A pesquisadora aponta a negação da existência do grupo pelo Estado como um dos principais fatores que impulsionaram seu crescimento, o que o torna corresponsável pela ascensão dos criminosos. Mas ela reconhece que o PCC não tem a dimensão que a mídia tenta mostrar, além de não ser uma entidade transnacional por sua influência fora do Brasil ser apenas pontual, já que seu maior mercado é interno.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Ouça, no link acima, a íntegra do programa.

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