Nas situações de grande conflito, sociedades buscam “bode expiatório”

Renato Janine fala sobre a perseguição que judeus e outros grupos estão vivendo e a falta de perspectiva de futuro

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O assassinato de uma mulher judia, sobrevivente do Holocausto, moradora de Paris, em um crime antissemita, e o avanço de grupos neonazistas e de supremacia branca, tanto na Europa como em outras partes do mundo, são o tema da coluna Ética e Política, do professor Renato Janine Ribeiro.

Para Janine, a falta de perspectiva de futuro é um problema muito sério que deve ser encarado pela sociedade atual. “Quando muita gente está sem perspectiva de futuro, o conflito pode adquirir uma dimensão muito grande”, lembra o docente. Como exemplo, ele cita o caso da antiga Iugoslávia e a crise que o país viveu na década de 1980, após a morte do Marechal Tito, e que acabou levando a uma terrível guerra envolvendo bósnios, sérvios e croatas.

O colunista destaca que existe uma caricatura mental que busca sempre um bode expiatório nas situações de conflitos. E um dos bodes expiatórios clássicos do Ocidente são os judeus. Acusados de “assassinos de Cristo”, perseguidos durante muito séculos e vivendo situações arriscadas, foram perseguidos, chacinados, destruídos.

Segundo Janine, o que aconteceu em Paris e que está acontecendo também em outras partes do mundo, envolvendo preconceito contra cor, etnia e gênero, é a busca por esses bodes expiatórios. “A civilização não pode aceitar esse tipo de conduta. Mas, para isso, ela precisa oferecer perspectivas às pessoas. Se não, você vai ter sempre pessoas miseráveis que vão culpar outras pessoas miseráveis por suas desgraças em vez de procurar o verdadeiro inimigo.”

Ouça acima o áudio na íntegra.

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