“Não podemos mais jogar uma grande quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera”

O alerta é do pesquisador Emílio Carlos Nelli Silva, que fala sobre a discussão mundial envolvendo a emissão de gases de efeito estufa e as contribuições da Universidade para combatê-la

 Publicado: 11/11/2021
“Muitas atividades econômicas estão em uma relação de compromisso: ou tratam de lidar com as emissões de gases ou não realizam a atividade econômica” – Foto: NASA/NOAA

Pesquisadores do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) estudam emissões, mitigação e captura de gases de efeito estufa, como CO2 e metano, no Brasil. Emílio Carlos Nelli Silva, professor da Escola Politécnica da USP e coordenador do programa Greenhouse Gases (GHG), do RCGI, fala ao Jornal da USP no Ar 1° Edição sobre a discussão mundial das mudanças nas emissões de gases de efeito estufa pelos países que participam da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 26), em Glasgow, na Escócia, e a contribuição do RCGI no controle de emissões.

“Muitas atividades econômicas estão em uma relação de compromisso: ou tratam de lidar com as emissões de gases ou não realizam a atividade econômica”, explica Nelli, ao também abordar a questão do crédito de carbono, que é um compromisso que atividades emissoras de gases de efeito estufa devem adotar para compensar os danos causados pela emissão. “Seria uma espécie de compensação. Se você pretende fazer algo que gere gases de efeito estufa, você tem que dar uma contrapartida e fazer algo que controle a emissão ou capture esses gases”, explica.

“Não podemos mais jogar uma grande quantidade desses gases na atmosfera”, alerta o professor.

O Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) é dividido em cinco programas de pesquisas voltados à emissão, quantificação, mitigação e captura de gases de efeito estufa. Nelli explica que o primeiro programa é coordenado pelos professores Paulo Artaxo, do Instituto de Física, e José Reinaldo, da Engenharia Mecatrônica da Poli, e se compromete a medir e quantificar a emissão de gás carbônico e metano na floresta amazônica. O segundo programa, coordenado por Nelli, é direcionado à mitigação da emissão desses gases em máquinas pneumáticas nas indústrias. “Às vezes você não se preocupa com uma emissão aqui ou acolá, mas, quando se percebe que isso ocorre em tudo quanto é lugar, você acaba tendo um problema aí”, comenta Nelli.

O RCGI também é composto de mais três programas: um destinado à eficiência de combustão de gás natural e biogás, de modo a tornar o dióxido de carbono facilmente capturado; outro relacionado à captura do CO2 a partir da combustão de biomassas e utilização de absorventes; e o último também relacionado à captura do gás, com utilização de líquidos com alta tendência de capturar moléculas de CO2, chamados de Solventes Eutéticos Profundos, e com o uso de membranas nanoestruturadas.”O GHG se concentra na questão industrial, enquanto outros projetos, nas questões da agricultura, biologia e química, tentando cobrir a amplitude do tema”, explica e conclui Nelli.


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