Não é possível prever retomada de cirurgias eletivas canceladas pela pandemia

Para o professor Nivaldo Alonso, mesmo com a estrutura do SUS, as restrições regionais estão relacionadas à quantidade ideal de profissionais necessários para reverter essa situação

 Publicado: 30/09/2021
Ao analisar o número de procedimentos realizados em 2020, nota-se a tendência de cancelamento de cirurgia de acordo com cada fase da pandemia – Foto: Pixabay

A covid-19 afetou a capacidade dos sistemas de atendimento cirúrgico em todo o mundo, causando um acúmulo crescente de procedimentos. Mais de 1 milhão de procedimentos cirúrgicos foram adiados ou cancelados no sistema público em função da pandemia. Um estudo coordenado por um especialista da USP aponta para a necessidade de esforços governamentais dedicados à expansão de cirurgias eletivas. 

“Um dos dados muito interessantes é que vai haver a necessidade redobrada do número de profissionais da área cirúrgica para atender essa demanda em hospitais públicos para que a gente possa realmente voltar à situação anterior à pandemia”, contou ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição o professor Nivaldo Alonso, chefe técnico da Seção de Cirurgia Craniofacial do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP-Bauru e do Departamento de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina da USP. Segundo o professor, ao analisar o número de procedimentos realizados em 2020, nota-se a tendência de cancelamento de cirurgia de acordo com cada fase da pandemia. 

Apesar de possuir a capacidade de realizar procedimentos eletivos, a volta aos números pré-pandemia possui dificuldades relacionadas às questões logísticas. “Um dos grandes gargalos do sistema de saúde está no que nós chamamos de força de trabalho”, explica Alonso, “justamente o número de profissionais, cirurgiões mais especificamente, distribuídos pelas diferentes regiões”. Mesmo com a estrutura do SUS, as restrições regionais estão relacionadas à quantidade ideal de profissionais necessários para reverter essa situação. Outro ponto que dificulta a retomada é o acesso a recursos financeiros para viabilizar os procedimentos.

Não é possível prever quanto tempo será necessário para reverter o cenário de acúmulo de cirurgias. De acordo com levantamentos internacionais, o tempo previsto para que países como a Inglaterra e Estados Unidos retornem aos níveis normais de cirurgias é de três anos. No entanto, Alonso ressalta que, apesar das previsões, cada país possui um tipo diferente de sistema de saúde. “Considero um trabalho árduo essa retomada, principalmente nos hospitais que seriam as referências do sistema universal de saúde. Eu não saberia dizer esse número, mas é muito trabalho, provavelmente alguns anos para a retomada desses números anteriores”, conclui.


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