Na opinião de especialista, lei do clube-empresa deixa lacunas importantes

Para Ary Rocco, não está clara a definição do papel da CBF na regulamentação dos registros esportivos dos clubes em caso de associações que, eventualmente, venham a falir ou mesmo entrar em recuperação judicial

 23/09/2021 - Publicado há 1 mês
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A criação da SAF  – Sociedade Anônima do Futebol – deve atrair principalmente os clubes que se encontram com problemas financeiros – Domínio Público via Wikimedia Commons

Sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, a lei do clube-empresa (lei nº 14.193/2021) autoriza os clubes de futebol brasileiro a se transformarem em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e é considerada por grande parte das equipes endividadas como sendo o principal caminho para sair da crise e tentar a reestruturação financeira. Atualmente os clubes enfrentam a má gestão, com isso, ao invés de se discutir futebol e técnica, o assunto em pauta é política.

O professor Ary Rocco, livre-docente da área de Gestão de Esporte pela Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da Universidade de São Paulo, explica que “o gerenciamento é feito de forma amadora na sua administração, os clubes são dominados por grupos políticos de associados que brigam pelo poder muito mais que pela competência técnica e formação adequada para esses profissionais trabalharem”, avalia.

A criação da SAF  – Sociedade Anônima do Futebol – deve atrair principalmente os clubes que se encontram com problemas financeiros. O professor Rocco acredita “que a lei deixa lacunas, como a definição do papel da CBF, que é o órgão regulador do esporte no País, na regulamentação dos registros esportivos dos clubes em caso de associações que, eventualmente, venham a falir ou mesmo entrar em recuperação judicial”.

A tributação diferenciada, vetada pelo presidente Jair Bolsonaro, é justamente  o ponto que torna a lei menos atraente para os clubes que hoje estão sendo mais bem gerenciados. Se realmente a lei for cumprida, será positiva para a carreira de um jogador de futebol que, além de estar mais bem preparado tecnicamente, terá salários em dia e condições de trabalho adequadas, o que deve permitir que muitos atletas se mantenham no País ao invés de o deixarem tão prematuramente.


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