Mulheres vítimas de violência possuem oito vezes mais chances de ir a óbito

Estudo avaliativo do IEA analisa política de notificação de violência nos hospitais e sua efetividade

Pesquisas recentes comprovam que mulheres que sofrem violência possuem risco de morte oito vezes maior do que outras pessoas. Fatima Marinho, médica e pesquisadora do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, explica que, em média, 200 mil mulheres vítimas de violência morrem por ano no Brasil. Para obter as informações, foi utilizada a base de dados de notificação de violência do serviço de saúde, contando com materiais datados de 2011 até 2016.

A pesquisadora explica que o feminicídio se diferencia do homicídio por caracterizar um crime de ódio e se enquadrar na violência de gênero, ou seja, a vítima é morta apenas por ser mulher. Tal fato pode ser consequência de uma construção social em que o homem possui uma ideia de posse sobre a mulher.

Além disso, a violência sofrida por mulheres começa, muitas vezes, na infância e dentro de casa, podendo ser cometida por parentes, namorados, entre outros. Ela também não está ligada apenas a agressão física, mas também ao estresse, que pode levar a vítima a cometer suicídio, sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou desencadear doenças como o diabete.

Fatima diz ser frustrante para o ramo da saúde reconhecer o problema no hospital, tratar a mulher violentada e depois vê-la morrer por descuido. A médica afirma que não basta apenas identificar e passar a informação para o Ministério Público, esperando que ele exerça o papel de proteção, já que na prática não está sendo efetivo. Medidas preventivas devem ser intensificadas nos próprios ambulatórios.

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