Mulheres pescadoras são invisibilizadas e possuem menos direitos

Projeto “Mulheres da Pesca”, desenvolvido junto à USP, compartilha histórias de vida dessas personalidades

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A atividade pesqueira sempre teve uma relevância notável entre as práticas extrativistas do Brasil. Sobretudo na região costeira, cidades construíram toda sua cultura e dinâmica econômica se alicerçando na pesca. Entretanto, já é intrínseco ao imaginário brasileiro a conexão entre o trabalho pesqueiro e a imagem de um homem.

Mesmo que as mulheres atuem na pesca desde o Brasil Colônia, tanto como pescadoras no mar, quanto no beneficiamento do pescado em fábricas, confecção e reparo de redes, entre outra série de tarefas, elas sempre foram muito pouco reconhecidas. “É uma invisibilidade muito ampla, mesmo nas zonas costeiras. Elas não têm nem os mesmo direitos legais do que os homens pescadores”, contou ao Jornal da USP No Ar a professora Mary Gasalla, do Instituto de Oceanografia (IO) da USP.

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Ela diz que só foi possível notar um progresso no reconhecimento das mulheres pescadoras a partir dos anos 1970. Houve um aumento da participação feminina na atividade pesqueira, acompanhada da construção de um movimento – através do Conselho Pastoral dos Pescadores – em busca de seus direitos como os trabalhistas e previdenciários, por exemplo. Assim, em um processo progressivo de incentivo às mulheres pescadoras que continua até hoje, elas começaram a ocupar postos de liderança dentro das comunidades pesqueiras e se organizar pelas suas reivindicações.

Para escancarar quem são essas mulheres que atuam na pesca há gerações e traduzir suas personalidades, foi criado o projeto Mulheres da Pesca, sediado no Laboratório de Ecossistemas Pesqueiros (LabPesq) do IO. “Realizamos a busca das biografias dessas pessoas basicamente, o objetivo é que todos possam conhecer as histórias de vida dessas mulheres”, explica Mary.
Ele é desenvolvido no contexto de outro trabalho elaborado
 pela professora no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, nomeado Futuro das sociedades dependentes do mar: mudanças climáticas, desigualdades e cooperação em sistemas sócio-ecológicos complexos. 

O Mulheres da Pesca já está acontecendo e convidados especiais foram escolhidos para escrever as primeiras histórias. O lançamento ocorre nesta sexta-feita, dia 07, em um evento no IO que comemora o Dia Mundial dos Oceanos, dedicado neste ano ao tema “Mulheres e o Oceano”. Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas em seu site oficial.

“O trabalho destas mulheres é praticamente invisível para a maior parte da sociedade. São mulheres que não vemos, não conhecemos sobre, e que têm histórias com uma peculiaridade muito importante. Esse projeto é uma oportunidade para podermos contar um pouco sobre elas”, conclui a professora.


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