Mulheres avançam no mercado de trabalho, mas diferenças ainda persistem

Professoras da USP e profissionais em áreas sobretudo masculinas falam sobre a mulher no mercado de trabalho

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP

Nesta semana, foi comemorado o Dia Internacional da Mulher e, pensando nisso, o Diálogos na USP convidou a professora Liedi Bernucci, primeira diretora eleita pela Escola Politécnica da USP em 124 anos de existência, e a professora Maria Dolores Montoya Diaz, do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, para conversar sobre a mulher no mercado de trabalho.

Foto: Breno Pataro / Prefeitura de Belo Horizonte via Flickr – CC

A professora Liedi diz que o mercado de trabalho da engenharia é historicamente masculino, mas que vem mudando muito nos últimos anos e, principalmente, na última década. Segundo ela, basta ver o número de alunas que estudam na Escola Politécnica: “Isso significa um reflexo do mercado de trabalho e da aceitação da mulher nele. Quando eu ingressei na Escola Politécnica, em 1977, éramos praticamente 4% mulheres dentre todos os alunos ingressantes. Hoje, 1/5 são mulheres, praticamente 20%. Pode-se achar que isso é um crescimento pequeno em quase quatro décadas, mas eu acho esse número relevante e ele é crescente ano a ano”.

Professoras Maria Dolores Montoya Diaz, da FEA, e Liedi Bariani Bernucci, da Poli, falaram sobre o mercado de trabalho para mulheres, no programa Diálogos na USP – Foto: Marcos Santos / USP Imagens

A professora Dolores, também do grupo de pesquisa Economistas da FEA USP, acredita que o mercado de trabalho feminino na área de economia costuma ser bastante promissor. Mas, segundo ela, a demanda das meninas pela carreira de economia não tem apresentado o crescimento esperado, inclusive no caso brasileiro, onde se observa, ao longo do tempo, um patamar relativamente baixo (na faixa de 20% a 30%). A professora completa dizendo que, no mercado de trabalho, se observa uma certa divisão, na qual as mulheres ocupam carreiras mais especializadas dentro da própria área: “Tendo em vista que a economia ocupa espaços grandes em diversas áreas, há uma certa especialização. A participação das mulheres é bem menor na área de finanças e maior em áreas ligadas à saúde, educação, economia da saúde e economia da educação.”

No que diz respeito à diferença salarial, ambas as professoras afirmam que este problema realmente existe em suas áreas. Para a professora Liedi, o que pode acontecer é que, durante a progressão na carreira, as mulheres ocupam cargos de muita responsabilidade, trabalhando muito e, em alguns cargos paralelos, os homens, com as mesmas responsabilidades, ganham mais: “Isso também faz parte de um aprendizado dentro da escola, a gente deve valorizar as mulheres para elas entenderem que também podem solicitar salários compatíveis com o que estão fazendo.” A professora Dolores completa, dizendo que o problema é extremamente complexo e muito cultural. Para ela, é importante que se faça na própria formação o uso de toda essa literatura econômica profunda para saber como atuar.

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