Mulheres avançam na ciência, mas ainda não ocupam cargos de chefia

Jovens cientistas pretendem inspirar a nova geração feminina com conversa no bar em evento do Pint of Science

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As mulheres na ciência e suas lutas por igualdade de oportunidade, financiamento, remuneração, espaço e reconhecimento são alguns dos temas que prometem movimentar o Pint of Science, evento de divulgação científica que pretende aproximar ciência e sociedade, na noite de hoje, dia 17. Denise Morais da Fonseca, pesquisadora do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, adianta que a conversa pretende servir de inspiração, deixando de lado por ora os problemas enfrentados pelas mulheres nos laboratórios e nas universidades.   

Denise, que é vencedora dos prêmios Women in Science 2017 e L’Oreal for Women in Science 2016, entende que ainda hoje é preciso reafirmar a participação feminina na ciência. Embora no Brasil as mulheres já sejam responsáveis por metade da produção científica, no mundo a participação média é de apenas 30% nesse espaço. Dentre os principais problemas enfrentados ainda hoje pelas mulheres estão a escassez de financiamentos, que costumam ser direcionados aos homens, e a maternidade, já que as mães têm dificuldade de se restabelecer ao retomar suas atividades.   

Sabine Righetti, criadora da consultoria em ciência e em educação Data14, jornalista e pesquisadora associada à Unicamp, diz ter uma visão otimista do cenário atual. As mulheres chegaram há pouco tempo na ciência e hoje já são 50% dos cientistas brasileiros, lembra. O que falta, segundo ela, são mulheres ocupando cargos de chefia. Os grandes projetos, os laboratórios e as universidades são ainda liderados por homens em sua grande maioria. Para que a transformação siga acontecendo e as mulheres cheguem a todos os espaços, é necessário debater a questão junto à sociedade e promover iniciativas nesse sentido.

Sabine dá um exemplo pessoal: após ser convidada para fazer a mediação de uma mesa de discussão sobre educação com seis participantes, todos homens, decidiu criar o projeto “Sem elas não tem conversa”. A partir de então, só aceita mediar eventos que tenham mulheres entre os debatedores. Outra iniciativa de Sabine, que atuou por muitos anos no jornalismo, foi usar mulheres como fontes para suas matérias, fugindo dos nomes já consagrados no meio, geralmente masculinos.           

Denise comenta uma pesquisa que revela que as mulheres são maioria na graduação, mas, conforme se avança  pós-graduação, doutorado, pós-doutorado , se observa um afunilamento da participação feminina. Nesse sentido, ela questiona: será que as mulheres não precisam ser mais ousadas? Ela lembra casos de mulheres que, enfrentando todas as dificuldades, se destacaram e foram responsáveis por grandes descobertas, como é o raio X. São essas as inspirações que as pesquisadoras pretendem levar ao evento.

O Pint of Science sobre mulheres na ciência acontece hoje, às 19h30, na Cervejaria Artesanal São Paulo, na Vila Madalena.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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