Mudança nos rótulos dos alimentos ainda divide opiniões

Especialistas acreditam que alertas são melhores para consumidor, diferente do sistema de semáforo nutricional

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A indústria brasileira será obrigada a informar, no rótulo de produtos alimentícios, qual é o teor em nutrientes críticos para doenças crônicas, além de listar os ingredientes utilizados na manufatura dos produtos, como já é feito. No entanto, a forma como essa rotulação é feita vem sendo tema de debates entre profissionais que acreditam que os atuais rótulos não funcionam como deveriam e precisam de alterações. Para esclarecer mais sobre essas possíveis mudanças, o Jornal da USP no Ar conversou com o professor Carlos Augusto Monteiro, do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, e a pesquisadora Neha Khandpur, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde, também do Departamento de Nutrição da USP.

Monteiro alega que o mundo inteiro já discute sobre a qualidade dos alimentos e as informações que devem ser levadas ao consumidor. Para o professor, a tabela nutricional exige até a utilização de uma calculadora para os estudiosos, o que pode ser ainda mais complexo para as pessoas comuns. Uma das principais mudanças, que já vêm ocorrendo em muitos países, é colocar a tabela nutricional na parte frontal dos produtos.

O professor afirma que a obesidade e a diabete são doenças crônicas que podem ser agravadas com o consumo de açúcar, sódio e gordura saturada. Porém, ao contrário dos dois últimos, o açúcar não é catalogado na tabela e mesmo com as informações que são disponíveis é incompreensível para o consumidor.

A indústria não concorda com a rotulagem frontal de octógonos ou triângulos e acha mais adequado o sistema de “semáforo nutricional”.

Há consultas públicas abertas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em que a indústria propõe que a mudança dos rótulos seja feita por meio de um sistema de “semáforo nutricional”, nas cores verde, vermelho e amarelo, para identificar o teor dos três principais nutrientes já citados. Os pesquisadores da USP acreditam que esse método será falho por confundir ainda mais o consumidor. O rótulo poderá ter mais de um alerta dependendo do nutriente a que se refere, como alto teor de sal, gordura ou açúcar.

Como ocorre no Chile, com a utilização de alertas em formato de octógonos pretos que deixam explícita a quantidade excessiva de sódio, açúcar e gordura saturada, Neha conta que em seu estudo foi observado que alertas melhoram a captura de atenção do consumidor sobre o conteúdo nutricional, além de melhorar a percepção de insalubridade desses produtos processados. Com todas essas evidências, alertas são melhores para o consumidor brasileiro.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Ouça, no link acima, a íntegra da entrevista.

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