Mortes em Paraisópolis denunciam truculência policial nas periferias

Para Nabil Bonduki, principais fatores da tragédia consistem na violência policial e na falta de políticas públicas culturais e de segurança

A morte de nove jovens na favela Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, levantou discussões sobre a ação policial e sobre a segurança em bailes funk. A polícia afirma que a ação foi devido a uma perseguição que acabou gerando tumulto no baile, enquanto testemunhas afirmam que a tragédia é resultado da violência dos policiais.

O professor Nabil Bonduki, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), ressaltou à Rádio USP que esse é mais um caso de reação policial desmedida, de violência contra a população pobre, negra e periférica da cidade. “Não se limita apenas a uma agressão isolada”, ressalta.

Para Bonduki, há duas questões a serem discutidas: a maneira violenta com que a polícia tem agido nesses casos e a urgência em criar condições de infraestrutura e regulamento para que essa forma de lazer possa acontecer sem gerar muitos incômodos aos moradores.

O excludente de ilicitude, medida legislativa que não culpabiliza a violência cometida por policiais em exercício da atividade, também pode ser um dos fatores que potencializam esse tipo de ação. Segundo o especialista, é importante que haja punição e regulamentação desses aspectos, e também é preciso que os bailes funk devam ser encarados como uma manifestação cultural legítima.

Ouça no link acima a íntegra da entrevista.

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