Mesmo depois de 75 anos, Auschwitz não deve ser esquecido

Para Maria Luiza Tucci Carneiro, é preciso lembrar sempre do genocídio praticado pelos alemães, principalmente porque o homem não aprendeu a lição

Esta semana, no dia 27 de janeiro, os 75 anos de libertação dos prisioneiros de Auschwitz foram lembrados. Afinal, como esquecer das milhares de pessoas exterminadas pelo regime nazista? Este campo se tornou símbolo da luta para evitar novos genocídios. Os presidentes de Israel e Polônia pediram na cerimônia, que reuniu sobreviventes, mais providências para combater o antissemitismo em meio ao ressurgimento global do preconceito contra os judeus.

Para falar sobre isso, o Jornal da USP no Ar entrevistou a professora Maria Luiza Tucci Carneiro, do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, coordenadora do Laboratório de Estudos de Etnicidade, Racismo e Discriminação e criadora, desde 2014, do programa Adote um Bolsista.

A professora ressalta que devemos lembrar sempre desse genocídio, principalmente porque o homem não aprendeu a lição. “Neste momento de recrudescimento não só do antissemitismo, mas também da xenofobia, principalmente em relação às minorias vulneráveis que tentam sobreviver à fome, à miséria, a planos de purificação de raça, que continuam existindo. Esse dia é um alerta que nos obriga a reolhar o que aconteceu não só na Alemanha, mas também nos países ocupados. Isso é um ensinamento e uma advertência para todos nós que valorizamos a diversidade e a liberdade de expressão.”

Maria Luiza alerta para o ressurgimento dos movimentos populistas de extrema-direita e chama a atenção para um conjunto de declarações xenófobas e racistas feitas pelo governo brasileiro recentemente. “Reproduzir discursos de Hitler e Goebbels é crime, de acordo com a legislação brasileira”, enfatiza.

É preciso agir diante de manifestações que incitem a xenofobia e o racismo, diz a professora. Ela ressalta ainda que o mais perigoso é que essas manifestações vêm de lideranças importantes e podem conduzir grupos frágeis a assimilar esses discursos. A população brasileira tem que ser educada, informada. A desinformação abre fissuras. O conceito de genocídio deve ser retomado nas escolas, nas universidades.

Vale lembrar, segundo a professora, que os tais livros da morte só vieram a público em 1991. São 16 volumes com fichas de 70 mil pessoas registradas e assassinadas em Auschwitz. “Há uma dificuldade muito grande em abrir arquivos, o que causa um processo lento e moroso.”

Um dos trabalhos do Laboratório de Estudos de Etnicidade, Racismo e Discriminação é o Arquivo Virtual Shoah: Holocausto e Antissemitismo. “O arquivo virtual está com 385 testemunhos (coletados) até 27 de janeiro deste ano. Lançamos com isso uma advertência na importância de que daqui a alguns anos teremos testemunhos somente da segunda geração, ou seja, filhos e netos que ouviram histórias de sobrevivência de seus pais e avós. É um alerta com o objetivo de conseguir cada vez mais os últimos testemunhos. Pois, com isso, podemos prestar realmente um serviço a essa memória que não pode ser esquecida.”

Ouça no player acima a íntegra da entrevista.


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