Mesmo com avanços, prevenção ainda é essencial na luta contra a Aids

Ricardo Vasconcelos comenta que, 40 anos após a identificação da doença, apenas quatro casos de cura foram identificados e somente dois deles por reações espontâneas dos pacientes

 01/12/2021 - Publicado há 2 meses
Micrografia eletrônica de varredura de HIV, em cor verde, saindo de um linfócito cultivado – Foto: Wikimedia Commons

Em 1º de dezembro é comemorado o Dia Mundial da Luta Contra a Aids. Em 2021, a data também marca os 40 anos da doença. Atualmente, as pesquisas para uma vacina avançam e mais um caso de cura é registrado. Ainda assim, a prevenção continua sendo o foco.

O professor Ricardo Vasconcelos, da Faculdade de Medicina (FM) da USP, pesquisador e coordenador da fase 3 do estudo de uma vacina contra o HIV no Hospital das Clínicas, comenta o progresso nas últimas quatro décadas.

“A gente teve uma melhora significativa nas tecnologias e nas possibilidades que se têm disponíveis para o enfrentamento dessa doença” afirma. Em novembro, foi publicado o relato de um caso em que a paciente conseguiu, espontaneamente, erradicar o HIV do seu corpo. Esse é apenas o segundo caso de cura espontânea registrado.

Vasconcelos explica que essa paciente faz parte de um grupo de pessoas chamado controladores de elite, um tipo muito raro. Ainda é preciso descobrir o que motivou a cura.

Outra novidade é a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de um esquema de medicação que deve simplificar o tratamento da doença. “É uma boa notícia para a saúde a longo prazo das pessoas que vivem com o HIV”, afirma o pesquisador, ao comentar os efeitos colaterais dos medicamentos.

Ricardo Vasconcelos – Foto: FM

De acordo com a UNAIDS, Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, toda semana cerca de 5 mil jovens mulheres entre 15 e 24 anos de idade são infectadas pelo vírus. Só em 2020, 1,5 milhão de pessoas contraíram o vírus, e 690 mil pessoas morreram de doenças relacionadas à Aids.

Vasconcelos ressalta a importância do acesso aos métodos de prevenção, diagnóstico e tratamento. Ele menciona a educação sexual, o acolhimento nos serviços de saúde e a profilaxia pré-exposição. O professor considera a cidade de São Paulo como um exemplo para o Brasil. Entre 2018 e 2020 houve redução de 25% na incidência do HIV.

Também é necessário conscientizar a população mais jovem. “A gente tem repetido: ‘use camisinha’, e sabemos que, no assunto sexualidade e prevenção, a coisa é muito mais complexa”, afirma.

Na próxima sexta-feira feira, o Serviço de Extensão ao Atendimento de Pacientes HIV/Aids – Casa da Aids, um ambulatório da Faculdade de Medicina, realizará um mutirão de testes rápidos para a detecção da Aids e sífilis no Largo da Batata, zona oeste de São Paulo. Os testes serão realizados em amostras de sangue coletadas das 10h às 17h. Os casos positivos serão tratados no Hospital das Clínicas.


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