Mapeamento de oceanos garante avanço tecnológico e científico

Segundo Michel Michaelovitch de Mahiques, o mapeamento é importante para compreender suas características, como relevo, biodiversidade e possíveis utilizações

A exploração dos mares pode garantir avanços tecnológicos importantes para o País, mas para colocar em prática é preciso investimento em pesquisa   Oceanos – Foto: Dim Hou – Pixabay

Grande parte dos oceanos ainda é desconhecida. O mapeamento dos mares é importante para compreender suas características, como relevo, biodiversidade e possíveis utilizações. Alguns países ricos, como Itália e Japão, investem na exploração, mas o Brasil ainda está atrasado. Segundo especialista, a exploração dos mares pode garantir avanços tecnológicos importantes para o País, mas para colocar em prática é preciso investimento em pesquisa.

No Especial Oceanos desta semana, Michel Michaelovitch de Mahiques, do Departamento de Oceanografia Física, Química e Geológica do Instituto Oceanográfico (IO) da USP, explica que há alguns desafios para explorar os mares, principalmente quanto à visibilidade, porque o fundo marítimo tem pouca incidência de luz. A solução é utilizar tecnologias acústicas para “enxergar” por meio do som. “Essa tecnologia só começou a ser desenvolvida nos anos 20, com a expedição de um navio alemão. Com o desenvolvimento tecnológico, temos a oportunidade de conhecer cada vez mais, mas a área a ser explorada ainda é gigantesca. Tem muita carência de informações sobre o relevo submarino, biodiversidade e o que isso representa para o conhecimento científico”, compartilha em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição.

Quando se pensa em exploração, geralmente vem à mente os recursos minerais ou a biodiversidade, mas vai além disso. Um exemplo é a rede de cabos submarinos de internet responsável por conectar o mundo inteiro. “Boa parte do tráfego de internet que acontece no mundo é feito através de cabos submarinos. Para instalar, é preciso conhecer o relevo do fundo para que não ocorra nenhum acidente. Isso demanda um conhecimento detalhado. Hoje em dia não é só o petróleo, existem áreas muito ricas em metais estratégicos, como o cobalto, então existem várias derivações da importância de se estudar o fundo do mar”, informa o professor.

A geopolítica tem papel fundamental quanto às convenções sobre o direito do mar. Alguns limites são estabelecidos: o mar territorial estabelece o limite sobre o qual o país tem autonomia, cerca de 20 km; há também a zona econômica exclusiva, com cerca de 370 km, em que os países precisam apresentar seus recursos vivos passíveis de exploração, a fim de adquirirem prioridade; e a plataforma continental jurídica, localizada no fundo do mar, em que os países determinam os próprios limites. Existem ainda depósitos minerais fora dessas plataformas e alguns países podem solicitar abrangê-los para explorar. O Brasil pleiteia englobar uma região conhecida como Rio Grande, localizada no oceano Atlântico. O lugar é rico em metais estratégicos. “Se é aceito que essa área pertença à plataforma continental jurídica, o Brasil passa a ter prioridade na exploração desses recursos”, afirma Michaelovitch.

Conforme o especialista, o Brasil já participou de alguns programas de mapeamento, mas, infelizmente, foram descontinuados. “Falta uma sistemática, um programa de Estado para que possamos conhecer o fundo marinho. Um dos poucos mapeamentos que houve, um dos mais fantásticos, foi a descoberta de recifes na plataforma do Amazonas, isso feito por brasileiros.” O apoio a instituições de fomento à pesquisa é um dos meios para garantir o aumento dos conhecimentos científicos brasileiros. “Na USP, temos um programa de mapeamento, financiado pela Fapesp e a Shell, que descobriu feições de fundo na frente de São Sebastião, muito perto da costa, em grande profundidade. Encontramos carbonatos muito ricos do ponto de vista da biodiversidade.” 


Jornal da USP no Ar 
Jornal da USP no Ar é uma parceria da Rádio USP com a Escola Politécnica, a Faculdade de Medicina e o Instituto de Estudos Avançados. No ar, pela Rede USP de Rádio, de segunda a sexta-feira: 1ª edição das 7h30 às 9h, com apresentação de Roxane Ré, e demais edições às 10h45, 14h, 15h e às 16h45. Em Ribeirão Preto, a edição regional vai ao ar das 12 às 12h30, com apresentação de Mel Vieira e Ferraz Junior. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo do Jornal da USP no celular. 


Política de uso 
A reprodução de matérias e fotografias é livre mediante a citação do Jornal da USP e do autor. No caso dos arquivos de áudio, deverão constar dos créditos a Rádio USP e, em sendo explicitados, os autores. Para uso de arquivos de vídeo, esses créditos deverão mencionar a TV USP e, caso estejam explicitados, os autores. Fotos devem ser creditadas como USP Imagens e o nome do fotógrafo.