Manifesto chama atenção para maior vulnerabilidade de idosos em asilos

O documento, enviado aos órgãos públicos, é assinado pelas professoras Yeda Duarte e Helena Watanabe, da Faculdade de Saúde Pública, e Marisa Accioly, da USP Leste

– Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

Desde que anunciada a gravidade do novo coronavírus, quando ele ainda era um surto na Ásia, os especialistas já sabiam que os idosos integravam o grupo de risco da doença que o vírus causa, a covid-19. Por necessitarem de cuidado redobrado, diversas restrições e recomendações estão sendo feitas, especialmente o isolamento social. Mas, como estão sendo atendidos os idosos que vivem em asilos e casas de repouso? Para analisarmos a situação das Instituições de Longa Permanência de Idosos (Ilpis) neste momento de pandemia, o Jornal da USP no Ar conversou com a professora Yeda Aparecida de Oliveira Duarte, da Faculdade de Saúde Pública (USP) da USP.

Yeda é coordenadora do Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (Sabe), que tem o objetivo de realizar estudo longitudinal sobre as condições de vida e saúde dos idosos no município de São Paulo. Junto com as professoras Helena Watanabe (FSP-USP) e Marisa Accioly (EACH-USP), Yeda formulou um manifesto enviado aos órgãos públicos, que relatava a situação dos idosos nesses locais. “O manifesto dizia que todo mundo ouve falar da vulnerabilidade dos idosos. Mas, dentre o conjunto de idosos, há aqueles mais vulneráveis que os vulneráveis, e parte deles são os idosos que residem nas Ilpis”, resume.

Antes chamados de asilos, e hoje, renomeados como instituições de longa permanência de idosos, esses lugares surgiram com a conotação social de abrigar aqueles que não tinham família nem onde morar. “Hoje, esse perfil mudou. Recentemente, verificamos que uma das principais razões que levaram a pessoa idosa a residir numa Ilpi é a incapacidade da família em assistir às necessidades de saúde dessas pessoas”, conta Yeda. São idosos frágeis, altamente vulneráveis e com múltiplas doenças, tornando-se ainda mais vulneráveis que os idosos em geral.

Conforme a especialista, após o manifesto, vários grupos que trabalham com as Ilpis se reuniram para subsidiar a construção de protocolos específicos de atuação junto às instituições, para evitar complicações ou situações de gerontocídio dentro desses locais, como ocorrido em outros países. Apesar disso, algumas outras necessidades ainda são muito importantes, como o uso e disponibilização de equipamentos de proteção individual (máscaras e luvas, por exemplo) e a presença de profissionais de saúde. Outra preocupação, gerada por diversos fatores, é a quase inexistência de possibilidade de isolamento de idosos com covid-19 nas Ilpis, necessitando assim de leitos próprios em hospitais disponíveis.

“Agora, se é que a pandemia traz alguma coisa de ‘positivo’, é que ela está dando visibilidade para aqueles que normalmente não são vistos por ninguém”, destaca Yeda Duarte. Fazem parte desses grupos, por vezes invisibilizados: idosos que moram nas instituições e que muitas vezes nós nem sabemos que estão lá; aqueles que residem sozinhos e que não possuem ajuda de ninguém para as necessidades primárias; e os que estão em situação de rua. “São pessoas extremamente vulneráveis, que precisam de atenção. Espero que a pandemia nos ensine a olhar para essas pessoas não só agora, mas de agora em diante.”

Ouça a entrevista na íntegra no player acima.


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