Manifestações abrem espaço para mudanças no cenário político

Manifestações de cunho político não são típicas de um quadro de estabilidade e indicam uma politização da sociedade

Em sua coluna anterior, o cientista político André Singer chamava a atenção para o fato de que as manifestações pró-Bolsonaro ocorridas no domingo (26) poderiam se transformar num fiasco e acabar se voltando contra o próprio, mas não foi o que ocorreu, o que mostra que o atual governo ainda pode contar com um apoio significativo da sociedade para seguir em frente. No entanto, o colunista observa que essa dinâmica de manifestações – há uma outra prevista para hoje (30), em favor da educação, e uma greve geral marcada para o dia 14 de junho – não é indicativa de uma estabilização do quadro, do ponto de vista governamental.

Essas manifestações não só não favorecem a governabilidade como abrem um processo de possível mudança no cenário político. “Na verdade, o que é interessante observar é que esse processo politiza a sociedade”, diz Singer, ao lembrar que mobilizações de grande porte – com algumas exceções bem específicas – não estão enraizadas na tradição do povo brasileiro. Agora, porém, tem-se um governo que tenta se sustentar por meio da mobilização popular. A longo prazo, essa politização, ao implicar numa correlação de forças entre governistas e oposicionistas, pode tanto pender para um dos lados da moeda quanto para o outro. Nesse aspecto, o cenário econômico pode ser o fiel da balança e  vir a fortalecer o governo, embora não pareça ser essa a tendência, “tendo em vista o fato de o governo não ter apresentado uma alternativa para melhorar as condições de vida da população”.

Acompanhe, pelo link acima, a íntegra da coluna Poder e Contrapoder.


Poder e Contrapoder
AA coluna Poder e Contrapoder, com o professor André Singer, vai ao ar toda quinta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7 FM; Ribeirão Preto 107,9 FM) e também no Youtube, com produção do Jornal da USP e TV USP.

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