Má postura e uso excessivo do celular podem causar a síndrome de text neck

Marcelo Amato orienta que “o aparelho deve estar sempre que possível na altura dos olhos”

 Publicado: 27/09/2021
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Os jovens estão entre os grupos que mais usam o celular, chegando a dedicar quatro horas por dia ao aparelho – Foto: Freepik

A cena mais comum de ver nos dias atuais são pessoas com a cabeça baixa olhando para o celular. Há casos tão graves que a pessoa se desliga do que está acontecendo ao redor a ponto de correr risco de vida, por exemplo, ao atravessar a rua. Esse ato é conhecido como síndrome de text neck  – texto e pescoço, em inglês -, um tipo de tensão que causa dores fortes na parte superior dos ombros e pescoço e atingindo a coluna cervical.

O uso excessivo do celular ou tablet, por horas, pode causar alguns problemas ortopédicos. Essa flexão forçada da cabeça pode lesionar a coluna cervical. O neurocirurgião e cirurgião de coluna Marcelo Amato, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FM-RP) da Universidade de São Paulo, explica que essa “condição clínica da síndrome surge com dores e tensões na região dos ombros e pescoço e não deve ser negligenciada, principalmente em casos crônicos, porque podem ocorrer problemas como hérnia de disco e bico de papagaio”, avalia.

A estimativa é que 75% da população mundial faz uso de celular ou dispositivos móveis diariamente por questões de trabalho ou lazer por longos períodos. A prática de exercícios físicos sempre ajuda a amenizar essas dores localizadas.

O tratamento da síndrome de text neck é feito de forma conservadora. Normalmente são utilizados medicamentos, como relaxantes musculares e analgésicos, calor local e em alguns casos reabilitação muscular.

A cirurgia nessa região não está descartada, mas pode e deve ser evitada,  para isso basta corrigir a postura quando fizer uso dos aparelhos móveis. Marcelo Amato orienta que “o aparelho deve estar sempre que possível na altura dos olhos”.

Recente pesquisa realizada pela empresa GlobalWebIndex mostra que o Brasil é o terceiro país do mundo em que as pessoas dedicam mais horas do seu dia ao celular. Ou seja, são três horas e 14 minutos por dia conectados. Entre o grupo de jovens, o número sobe para quatro horas por dia.


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