Levantamento aponta as áreas críticas do ensino nacional

Anuário Brasileiro da Educação Básica é um importante orientador de políticas públicas, explica pedagogo

jorusp

O número de jovens de 15 a 17 anos cursando o ensino médio aumentou de 61% em 2012 para 68,7% em 2018. O porcentual de jovens nessa faixa etária que frequentam a escola também vem crescendo e chegou a 91,5% em 2018. Os dados estão no Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019, divulgado pelo movimento Todos pela Educação, e traz dados organizados de acordo com as metas do Plano Nacional de Educação (PNE). A conclusão do ensino médio na idade adequada ainda é um desafio, como mostram os dados do relatório. Em 2018, apenas 63,6% dos jovens de 19 anos matriculados concluíram o ensino médio. Em 2012, 51,7% dos jovens de 19 anos haviam concluído essa etapa do ensino.

“É um dado positivo”, aponta o professor Marcos Neira, o diretor da Faculdade de Educação da USP, ao Jornal da USP no Ar. “Se você bater uma fotografia da educação, hoje, o cenário pode não parecer tão favorável. Mas o recorte temporal de 2012 a 2018 revela efeito de um esforço bem realizado nos anos anteriores, sobretudo, com a implementação da Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica”, esclarece. Ele ressalta a importância do anuário como orientador de políticas públicas, pois o levantamento aponta as áreas críticas do ensino nacional.

A educação no Brasil é tratada como assunto de Estado desde meados dos anos 90, com medidas como a Lei de Diretrizes e Bases, de 1996, e o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que entrou em vigor em 2007.

Série de seminários pelo Brasil pretende reunir propostas de melhorias para o ensino médio. – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

De qualquer maneira, a educação brasileira ainda precisa avançar muito. “A quantidade de investimento em reais por ano, por aluno, é inferior a outros países do mesmo segmento internacional. O jovem sofre os efeitos disso. E é difícil se esperar resultados positivos sem apostar”, declara Neira. Ele explica que, apesar da boa notícia em um recorte temporal grande, o Brasil ainda investe muito menos que os países da Europa. “Convertendo para valores em real, lá tem nações que empregam 22, 25 mil reais por ano. Isso é cerca de quatro vezes o que se investe aqui”, indica. No Brasil, são investidos aproximadamente 6 mil reais.

Essa diferença de orçamento garante cursos de extensão e outras atividades. Nesse sentido, a desigualdade brasileira tem desdobramentos sobre a infraestrutura das escolas, apesar das lutas para garantir o acesso à educação, e o crescimento de quase 100% da frequência escolar. “Os locais mais empobrecidos são os mais prejudicados. Têm menos mobilidade até o local de estudo, merenda de pior qualidade. Não têm laboratório, internet, biblioteca. Consequentemente, os índices de alfabetização, desempenho e aproveitamento são mais baixos”, analisa Neira, se baseando nos dados do anuário.

Mas não só de infraestrutura depende a educação. Com a necessidade de atualização constante frente ao avanço do mundo, os desafios dos professores só aumentam. Por isso, qualificar recursos humanos é fundamental. Desde a sanção da Lei de Diretrizes e Bases, que recomenda o ensino superior para o exercício do magistério, o número de profissionais graduados cresceu de 77% para 80%. O anuário aponta que o Brasil tem 300 mil novos professores.

“A carreira do magistério, entretanto, não é tão atrativa. Um professor ganha em média 60% do salário de outro profissional com ensino superior. Isto acarreta uma grande incidência de desvio de função. Quem se forma em física ou matemática vai para o sistema bancário. Em química, para a indústria. Assim, faltam profissionais de áreas específicas”, argumenta o pedagogo. 


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