Leon Lederman trouxe avanços para estudo de partículas elementares

Físico premiado com o Nobel em 1988 também exerceu grande liderança na comunidade científica

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As pesquisas sobre partículas elementares realizadas pelo físico norte-americano Leon Lederman, que morreu no último dia 3 de outubro, são o assunto da coluna do físico Paulo Nussenzveig. “Achei apropriado falar um pouco sobre ele, que obteve ao menos três resultados de enorme importância em suas pesquisas”, diz. “Um desses resultados foi reconhecido com o Prêmio Nobel de Física, 30 anos atrás, em 1988, juntamente com Melvin Schwartz e Jack Steinberger.”

Norte-americano Leon Lederman recebeu o Prêmio Nobel de Física em 1988, juntamente com Melvin Schwartz e Jack Steinberger – Foto: Wikimedia Commons

Nos anos 1950, Lederman dedicou-se a estudar os múons (partículas elementares semelhantes aos elétrons, mas com massa muito maior) e, juntamente com outros dois colegas, publicou um trabalho em 1957 em que observou a quebra da simetria de paridade no interior dos núcleos atômicos. “Em colaboração com Schwartz e Steinberger, Lederman produziu em 1962, num acelerador no laboratório nacional de Brookhaven, um feixe de neutrinos (uma partícula subatômica “fantasma”, que interage muito fracamente com outras partículas e com massa extremamente reduzida)”, conta Nussenzveig. “Os neutrinos que eles geraram levavam a processos diferentes daqueles observados no decaimento beta (em que neutrinos foram descobertos). Eles haviam descoberto um tipo diferente de neutrino, o neutrino do múon, o que lhes rendeu o Prêmio Nobel. Anos mais tarde, no Fermilab (na época, o maior acelerador de partículas do mundo), Lederman ainda lideraria a descoberta do quark b (bottom).”

Leon Lederman exerceu grande liderança na comunidade científica. “Ele presidiu a Associação Americana para o Avanço das Ciências (AAAS) e foi diretor de grandes laboratórios. Ele dirigiu o Fermilab, entre 1978 e 1989, quando se aposentou, tendo sido o principal responsável pela construção do Tevatron, o maior acelerador de partículas da época”, relata o físico. “Ilustrando as dificuldades da cobertura de seguro saúde nos Estados Unidos, sua medalha Nobel foi leiloada em 2015, por US$ 765 mil, para dar conta de suas despesas médicas.”

Ouça no link acima a íntegra da coluna Ciência e Cientista.

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