Lava Jato tem apoio da população, apesar de imagem distorcida

Para Gustavo Justino de Oliveira, a institucionalização da operação pode passar uma mensagem errada de que é independente, mas envolve Ministério Público, Poder Judiciário e outros órgãos

Em 2014, a Polícia Federal deflagrou a Operação Lava Jato e, após seis anos de funcionamento, a operação continua bem-vista entre a população, apesar de alguns percalços durante o caminho e conflitos recentes com a Procuradoria-Geral da República (PGR). Em uma pesquisa recente (3 a 5 de agosto), realizada pelo Poder Data (divisão de estudos estatísticos do site Poder 360), com aproximadamente 2,5 mil entrevistas, distribuídas em 512 municípios, pôde ser observado que 53% dos entrevistados acreditam que a Operação Lava Jato é importante e faz um trabalho correto. Ainda assim, 30% acreditam que a operação foi importante para combater a corrupção, mas que está cometendo abusos de autoridade. Os 17% restantes não souberam opinar sobre o assunto.

“É um tema extremamente polêmico, que desperta muitas paixões na população brasileira. A Lava Jato completou recentemente seis anos, então ela não é apenas uma das maiores operações de combate à corrupção do mundo pelo o que ela faz, mas também pelo tempo de duração dela”, comenta Gustavo Justino de Oliveira, professor do Departamento de Direito do Estado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, em entrevista ao Jornal da USP no Ar.

Ele comenta que, por ser de um modelo força-tarefa, a operação envolve o Ministério Público Federal (MPF), Receita Federal, Poder Judiciário e até o Tribunal de Contas em um verdadeiro trabalho interconstitucional de cooperação. Mas, e quando uma operação praticamente se institucionaliza perante a sociedade brasileira? “A Lava Jato foi tão importante, os resultados que ela alcançou são resultados que têm tanta legitimidade junto à sociedade brasileira que, de certa maneira, até pelo tempo que ela vem durando, ela se institucionaliza”, explica Oliveira. Nesse sentido, a operação pode passar uma mensagem de quase independência do Ministério Público, algo que ela não é e que pode passar um sentido negativo.

Para o professor, a operação se institucionalizou tanto que acabou virando um movimento político, inclusive ajudando candidatos, como o atual presidente Jair Bolsonaro. Apesar de o “bolsonarismo” ser um movimento distinto do “lavajatismo”, ambos se encontraram e trabalharam juntos nas eleições de 2018, mas, com a saída de Sérgio Moro da equipe ministerial e de outros conflitos recentes, percebemos um distanciamento dessas duas vertentes, o que pode ser verificado nos resultados da pesquisa citada acima.

Justino de Oliveira comenta que algumas estratégias em nome do combate à corrupção foram utilizadas de uma maneira não tão ortodoxa, principalmente nos aspectos envolvendo a garantia de defesa dos envolvidos, apesar de os resultados positivos serem inegáveis.

Saiba mais ouvindo a entrevista completa no player acima.


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