Investigação de delações pode ter efeito de criar desequilíbrio político

Segundo o cientista político André Singer, não se trata de deixar de apurá-las, e sim de medir suas implicações para o jogo político

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Em relação ao envio do inquérito referente ao ex-governador Geraldo Alckmin do Superior Tribunal de Justiça para a Justiça Eleitoral de São Paulo, o cientista político André Singer faz duas observações que considera pertinentes. Ele lembra que as acusações envolvendo políticos são generalizadas, aparecendo em várias delações. No entanto, em nenhuma manifestação de rua, a figura do ex-governador do Estado de São Paulo aparece vestido como presidiário ou se pede a sua prisão, bem ao contrário do que ocorre, por exemplo, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Singer, trata-se de um aspecto que merece atenção.

Além disso – e mais evidente ainda, segundo o colunista -,  a decisão do STJ de remeter o inquérito para a Justiça Eleitoral estaria fazendo com que o processo saísse da órbita da Lava Jato, “preservando assim o ex-governador Geraldo Alckmin”. A realidade, sempre segundo o colunista, é a de que o único a estar fora do jogo eleitoral é o ex-presidente Lula, justamente a candidatura que, até então, liderava as pesquisas de intenção de votos. Não se trata, ressalta Singer, de ser contra as investigações, mas sim de saber como estão sendo utilizadas e até que ponto estão tendo o efeito objetivo de produzir um desequilíbrio político, “que está criando e, se permanecer assim, vai criar problemas sérios para o funcionamento da democracia brasileira”.

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