Instituto de Medicina Tropical inicia testagem domiciliar de covid-19 em São Caetano

A iniciativa é fruto de parceria com a Prefeitura do município e, segundo Cassia Mendes Correa, até o momento, já foram realizados 200 testes na cidade – cerca de 10% deram positivo para a doença

A Prefeitura de São Caetano do Sul, em parceria com o Instituto de Medicina Tropical da USP, iniciou nesta semana a testagem da população para a covid-19. Inicialmente, os munícipes respondem questionário on-line, no qual são identificados possíveis casos de contaminação e grupos de risco. A partir da identificação, os kits de teste concedidos pelo IMT são levados na casa dos moradores para realização de autocoleta e, posteriormente, analisados pelo instituto. O resultado sai em até 48 horas.

A professora Cassia Mendes Correa, do Instituto de Medicina Tropical da USP, que participa do projeto, explica ao Jornal da USP no Ar que os munícipes acessam um site, respondem questionário visando à identificação de sintomas da doença e é feita análise das respostas por estudantes de medicina da cidade para avaliar pacientes que precisam ser testados. “Uma vez feito isso, se o indivíduo for identificado como alguém que é preciso coletar, em 24 horas uma equipe especial vai até a casa deste levando o kit de autocoleta. O IMT, neste momento, é responsável por fornecer os kits, organizar e orientar as coletas, receber os kits de coleta e processar todos os exames, que terão resultado no máximo em 48h.”

 

Testes da covid-19 – Foto: Tchelo Figueredo / SES-MT via Fotos Públicas

 

A professora informa que a identificação do vírus é feita pela técnica de biologia molecular PCR reação em cadeia da polimerase, na qual é feita a multiplicação da fita de DNA. Os pacientes são responsáveis pela coleta do próprio material genético a ser avaliado pelo laboratório do instituto e são orientados via material didático a fim de realizarem o procedimento de forma correta. “Resumidamente, a coleta é feita com dois cotonetes longos. Um é introduzido nas narinas e o outro na faringe. Depois do material coletado, o paciente é orientado a introduzir os cotonetes em tubo de ensaio e ensacar. Enquanto isso, a equipe que levou o kit aguarda fora da residência do munícipe. O material é levado para uma central na cidade e depois vai para o IMT.”

De acordo com Cassia, o projeto iniciou o atendimento à população nesta semana. A princípio, foram testados os profissionais da saúde. Ao todo já foram coletados 200 testes e, destes, cerca de 10% deram positivo para a covid-19. “Os exames, até o momento, estão em pequeno número porque estamos iniciando o processo, mas a expectativa da Secretaria Municipal de São Caetano do Sul é de que façamos cerca de 300 testes por dia. Isso porque existem 60 equipes e cada uma tem a capacidade de fazer cinco coletas por dia.”

A iniciativa possui custo alto, mas é inteiramente bancada pelo município e, portanto, o IMT não lucra com o projeto e seus custos são restritos aos insumos utilizados. A professora afirma que o custo do projeto consegue ser ainda inferior ao que é cobrado por testes rápidos atualmente comercializados no Brasil. “É possível organizar diferentes universidades, instituições privadas, públicas e seus municípios no sentido de estabelecer uma parceria com o mesmo modelo, no qual não existe lucro, mas sim a intenção de atender à população da melhor forma possível.”

Ouça entrevista na íntegra pelo link acima.


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