Início do período de chuvas alerta para os perigos de desastres naturais

Marcos Massao Futai comenta que o Brasil tem muitas áreas de risco ocupadas e propõe soluções ao problema

 17/11/2020 - Publicado há 1 ano

O início do ano na cidade de São Paulo é conhecido pela alta incidência de chuvas, as quais começam a aparecer ainda no mês de dezembro. Nessa época, são acentuados os perigos de deslizamentos de terras e de desastres em áreas de risco ocupadas. O professor Marcos Massao Futai, do Departamento de Engenharia de Estruturas e Geotécnica da Escola Politécnica (Poli), afirma que é um período problemático e aponta os riscos geotécnicos relacionados às chuvas em entrevista ao Jornal da USP no Ar de hoje (17).

“É hora de se preocupar com a chuva e os problemas relacionados a ela”, diz Massao Futai. Nas épocas de maiores incidências, as encostas podem gerar escorregamento e deslizamento, o que pode resultar em desastres naturais. O professor explica como as áreas que merecem maior atenção são classificadas: áreas com perigos de escorregamento e ocupadas são de risco, que pode ser alto ou baixo, enquanto áreas com os mesmos problemas, mas não ocupadas, são falhas de engenharia e não devem ser tratadas com a mesma urgência. É necessário que os municípios façam um mapeamento e avaliação dessas regiões.

O próximo passo é o gerenciamento dos locais de maior perigo. Massao Futai destaca a importância de um planejamento governamental a longo prazo que prepare para o período mais acentuado de chuvas e que evite fazer obras em áreas de risco durante essa época. Comenta que o último grande desastre relacionado a regimes de chuva foi em 2011, no Rio de Janeiro, deixando mais de mil mortos, mas que, mesmo com quase uma década sem catástrofes, é essencial continuar preparado para os eventos naturais extremos.

Um problema citado é que algumas áreas de alto risco são muito ocupadas, o que torna difícil pedir para os moradores se retirarem. O professor explica que o Brasil tem clima tropical, com muitas chuvas em períodos concentrados, muitas encostas e muitas áreas de risco ocupadas, o que classifica um cenário de problemas em encostas. 

Atualmente, com mais tecnologia, é possível fazer um estudo mais prático de identificação das áreas de risco, com o uso de drones para a análise de imagens, pontua Massao Futai. “Identificação do risco não acaba com o risco, mas faz o gestor saber onde está” e, a partir disso, deve-se pensar em ações para aumentar a segurança das regiões. 

Saiba mais ouvindo a entrevista na íntegra no player acima.


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