Informalidade no mercado de trabalho é estrutural

Para especialista da USP, o problema é resultado de escolhas feitas ainda no governo Getúlio Vargas

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE,  divulgou, nesta quarta-feira, que a taxa de desemprego no Brasil foi de 11,8% no quarto trimestre de 2017. Apesar de ser o melhor dado desde 2016, cerca de 12,3 milhões pessoas seguem em busca de trabalho no País. O professor Hélio Zylberstajn, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, explica que, no começo do ano passado, a taxa de desemprego explodiu, atingindo quase 14%, portanto, ao longo do ano, essa explosão foi contida e o dado final é positivo.

O fato desse número ter sido quase o mesmo do final de 2016 revela que a nova população de trabalhadores conseguiu ser absorvida pelo mercado, o que não vinha acontecendo. Entretanto, segundo ele, isso só foi possível devido ao aumento de trabalhos informais, os quais possuem qualidade questionada.

Zylberstajn defende que a informalidade no mercado brasileiro é um problema estrutural e histórico, resultado de escolhas feitas ainda no governo Getúlio Vargas e que foram pioradas ao longo dos anos. Hoje, dos 90 milhões de trabalhadores ocupados, cerca de 50% possuem empregos informais. Para ele, há a possibilidade em 2018 da volta de parte do trabalho com carteira assinada.

Quanto à reforma trabalhista, o professor garante que não há impacto direto com o desemprego. A reforma deve, na verdade, diminuir o número de processos na Justiça de Trabalho.

O Jornal da USP, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré. Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93.7, em Ribeirão Preto FM 107.9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular.

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