Infecções sexualmente transmissíveis podem ser silenciosas

Especialmente no Carnaval, uso de preservativo e cuidados na ingestão de bebida alcoólica devem ser prioridade

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Estudos científicos têm comprovado que hábitos pouco saudáveis, como sobrepeso, inatividade física, alto consumo de álcool, tabagismo e uso de drogas, aumentam as chances de disfunções sexuais em homens. Outro problema para a vida sexual masculina é a baixa produção de testosterona ou diminuição do hormônio. A saúde sexual do homem também depende da prevenção e do tratamento das conhecidas infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), especialmente nesta época do ano. O Jornal da USP no Ar, com participação do jornalista Ferraz Junior, conversou com Jorge Hallak, urologista da Faculdade de Medicina (FM) e coordenador do Grupo de Estudos em Saúde Masculina do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.
Diferente de doenças como gonorreia, que apresenta uma secreção branca na uretra, e da sífilis, que em estado inicial denota uma lesão no órgão genital, existem infecções sexualmente transmissíveis assintomáticas. O homem pode ser um transmissor delas sem saber, pois “ele coloca a mão, apalpa e não está inflamado. Não há sintoma algum de que está com uma lesão, mas a realidade é diferente da aparência”, explica Hallak. É o caso do HPV, por exemplo. De acordo com ele, o índice de contato por relações sexuais é muito elevado e por isso o uso de preservativo é essencial. “Existem estudos que mostram claramente que uma ingestão aguda, acima de 5 doses de álcool por dia, está associada ao sexo não seguro. Assim, é uma associação muito grande na época do carnaval.”
Entre os métodos contraceptivos, o preservativo masculino, utilizado por 12,9% dos casais pesquisados, é distribuído gratuitamente – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
A camisinha também precisa ser utilizada no sexo oral e anal, duas situações de que pouco se fala. “Eu sei que é difícil, menos prazeroso. Mas sexo oral no homem tem que ser aliado da camisinha. Tem várias doenças que são passíveis por meio da boca. Transmissão de HPV, clamídia ou outras infecções que vão estar latentes por muito tempo.” Quanto ao sexo anal, o especialista destaca a existência de bactérias habituais do trato digestivo: “Elas vão se alojar na cabeça do pênis, em uma cavidade chamada de fossa navicular; depois, colonizarão toda a uretra e chegarão na próstata, vesícula seminal e ducto aferente (local da vasectomia) até que contaminem os testículos. Isso é muito sério e muito mais comum do que as pessoas imaginam.”
Hallak cita um exemplo não muito incomum: indivíduo sedentário, que fuma cigarro e ingere álcool ou drogas de maneira constante, tem um estresse de trabalho enorme aliado e dorme mal à noite. “Esse homem vai começar a ter uma queda de hormônio masculino ao redor dos 40 anos, muito antes dos 72 anos de que se falava antigamente.” A preocupação consiste no fato de que indivíduos muito jovens estão apresentando baixos níveis de hormônio.

De acordo com o médico, a andropausa, termo que faz analogia à menopausa feminina, se popularizou, mas não tem um motivo fisiológico. “Na mulher sim: [a baixa produção de hormônios] acontece de forma mais ou menos abrupta, em que chega na fase dos 50 anos e ela para de produzir hormônios. Diferentemente, o homem possui uma série de influências que determina a queda da testosterona.” Como motivos, há o estresse, ingestão indevida de álcool e falta de exercícios físicos. 

Esses fatores têm que ser colocados na mesa de um andrologista, que vai dar um tratamento para esse indivíduo. Alguns sintomas da andropausa  são parecidos com depressão, como irritabilidade e falta de sono. No Brasil, há uma alta prescrição de testosterona e antidepressivos como solução. “Mas é como dar um peixe sem ensinar a pescar. Não se pode ficar apenas na base do medicamento, pois é um sucesso temporário. A ideia é que o homem dependa menos do medicamento e consiga criar hormônios próprios novamente”, explica Hallak.

Pode ser difícil mudar essa situação, porque os homens não costumam procurar auxílio médico. “Os sintomas não acontecem de forma abrupta. Quando finalmente procuram ajuda, estão numa fase avançada da doença.” Por fim, o especialista destaca: “O indivíduo masculino precisa procurar urologista e andrologista de maneira rotineira para criar um vínculo com o médico e fazer a checagem de modo adequado.”

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