Incidência de casos de câncer de mama ultrapassa 60 mil por ano no Brasil

Entidades especializadas preconizam mamografia como rastreamento do câncer de mama, a partir dos 40 anos, com exames sendo feitos anualmente

 07/10/2020 - Publicado há 1 ano

Durante o ano existem vários meses de conscientização relacionados aos diversos tipos de câncer. Além de ressaltar a importância do cuidado que devemos ter com a saúde, essas campanhas alertam sobre a necessidade e os benefícios de se ter um diagnóstico precoce de uma doença, especialmente o câncer. O Outubro Rosa é dedicado ao câncer de mama, uma das principais causas de morte por câncer em mulheres, apesar de também poder ocorrer, raramente, em homens.

Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, o professor José Roberto Filassi, chefe do Setor de Mastologia da Faculdade de Medicina da USP do Hospital das Clínicas e médico do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), comenta que o “autoexame foi algo que surgiu há muito tempo, no sentido de diagnosticar precocemente os tumores, com a própria mulher se examinando”. De acordo com ele, para alguém fazer o autoexame, esta pessoa precisa saber o que está fazendo e ter orientação de alguém. O problema é que, em algumas regiões, mesmo ao encontrar o nódulo, a mulher pode não encontrar um profissional para cuidar do problema. Sendo assim, o autoexame é importante, mas para mulheres que têm risco aumentado para câncer de mama e se feito entre exames de rastreamento.

Arte: Jornal da USP

A partir de um resultado positivo encontrado em exame, pode haver confusão na hora de entender o que, de fato, está acontecendo. Criado 25 anos atrás, o sistema BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) conta com cinco níveis de classificação e tenta fornecer uma estrutura padronizada na indicação do diagnóstico. Filassi explica que o BI-RADS 1 é quando tudo está normal. Já o 2 é quando tem alguma coisa diferente do que se espera ter na mama, mas não relacionado a algo preocupante. O BI-RADS 3 é quando existe uma lesão, provavelmente benigna, mas não tão tranquila. Aqui, o exame deve ser repetido em um período menor, para ver se teve alguma modificação, o que ajuda na comparação entre ambos os resultados. Neste nível, a chance de algo ser maligno não passa de 2%. A malignidade em si passa a ser suspeita a partir do BI-RADS 4, com o nível 5 garantindo essa resposta maligna.         

“Biópsias devem ser feitas nos níveis 4 e 5″, explica o professor, pois, ao fazer isso, planeja-se melhor a cirurgia e analisa-se se a quimioterapia deve vir antes de uma cirurgia. Mesmo no nível 4, a maioria dos resultados é benigno, no entanto, Filassi alerta sobre a necessidade de se cuidar de lesões precursoras, se existentes. Medicamentos altamente eficazes inibem a evolução dessas lesões em torno de 80% a 85% dos casos.

No Brasil, a incidência de casos novos passa de 60 mil por ano. A Sociedade Brasileira de Mastologia, Sociedade Brasileira de Radiologia e a Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia preconizam mamografia como rastreamento do câncer de mama, a partir dos 40 anos, com exames sendo feitos anualmente.

Saiba mais ouvindo a entrevista completa no player acima.


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