Imunização completa contra a covid-19 ainda não substitui o uso de máscaras

Ana Paula Lepique indica que a flexibilização das medidas de segurança contra o coronavírus é uma ação ainda prematura

 24/01/2022 - Publicado há 4 meses
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O uso de máscaras continua sendo fundamental para a contenção e controle do coronavírus, principalmente com a chegada das novas variantes – Foto: Coyot/ Pixabay

Desde o início da pandemia, o uso de máscaras é recomendado para reduzir a transmissão do vírus e proporcionar segurança à população. No entanto, com o avanço da campanha de vacinação e a consequente diminuição dos casos de covid-19 no Brasil, governos de alguns estados suspenderam a obrigatoriedade do uso de máscaras em público, mas voltaram atrás em sua decisão com a chegada da variante ômicron, altamente transmissível, ao País. 

Ana Paula Lepique – Foto: ICB/USP

Professora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e especialista em imunologia, Ana Paula Lepique reforça a importância da manutenção das medidas de segurança contra o vírus neste momento de retomada às atividades presenciais. “A flexibilização do uso de máscaras é extremamente prematura, e gera situações em que as pessoas vão se expor mais”, diz. A pesquisadora exemplifica: “Pode acontecer de alguém sair para a rua sem usar máscara, e então lembrar que precisa comprar algo na farmácia. Ela só vai ficar um minutinho na loja, mas vai estar sem máscara”.

Em um momento inicial, a imunização completa com duas ou três doses da vacina, a depender de seu fabricante, não substitui o uso de máscaras. “A vacinação tem um efeito protetor muito importante na população, mas algumas pessoas apresentam condições de saúde e fatores de risco diferentes e, mesmo imunizadas, podem se infectar”, explica Ana Paula. Em tal caso, a proteção individual é capaz de assegurar a saúde coletiva: a máscara, segundo a professora, cria uma barreira física que dificulta a passagem do vírus de um indivíduo para outro.

Proteção independe da variante 

As máscaras também são eficazes contra novas variantes, incluindo a recém-descoberta ômicron. “Por mais que ocorram mutações nos vírus, as partículas virais continuam muito parecidas entre si. Pequenas alterações em uma proteína ou outra não alteram seu tamanho, aderência e outras características bioquímicas no geral”, conta a professora. Contudo, o tipo de máscara utilizado impacta significativamente no nível de segurança contra a contaminação. “Máscaras de tricô, crochê, ou de um tecido fino não tem eficiência. Talvez você possa trocá-las várias vezes por dia, sempre lembrando de lavar as mãos depois, mas existem máscaras mais adequadas disponíveis no mercado e que não são tão caras”, destaca. 

Ana Paula recomenda o uso das máscaras PFF2 ou N95, modelos equivalentes, que têm sua eficácia certificada por órgãos reguladores do Brasil e Estados Unidos, respectivamente. Ambos os respiradores — termo técnico referente a esse tipo de máscara — apresentam cerca de 94% de eficiência na filtragem de partículas, e por isso são os mais indicados na prevenção do coronavírus.

As PFF2 e N95 são mais seguras do que máscaras de pano e máscaras cirúrgicas, porque impedem o vazamento de ar não filtrado pelas laterais. Os respiradores contam com clipes nasais, pequenas peças de metal acima do nariz que auxiliam no ajuste do equipamento protetor ao rosto. Caso utilizadas corretamente, cobrindo o nariz, a boca e o queixo, as máscaras podem barrar um novo aumento no número de casos e evitar o prolongamento da pandemia.


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