Imposições culturais e sociais podem intensificar distúrbios alimentares

Ana Flávia de Sousa Silva diz que o atual padrão é um “modelo corporal entendido hoje como única possibilidade de beleza”

 18/10/2021 - Publicado há 2 meses
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De acordo com Maria Fernanda Laus, um fator que ajuda no diagnóstico dos distúrbios é a chamada distorção de imagem – Fotomontagem com imagens de Freepik e Flaticon

As redes sociais podem potencializar os distúrbios alimentares, muitas vezes causados pela imposição de corpos perfeitos. Com o intuito de reduzir esse impacto, uma rede social decidiu banir todo o conteúdo relacionado a emagrecimento da sua plataforma.

A nutricionista e doutoranda da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, Ana Flávia de Sousa Silva, diz que o atual padrão é um “modelo corporal entendido hoje como única possibilidade de beleza” e destaca que a visão de um corpo considerado perfeito é feita através de imposições culturais e sociais, observadas principalmente nas redes sociais. “Essas imposições afetam o relacionamento que o indivíduo tem com a comida, desencadeando assim os distúrbios alimentares”, enfatiza. 

Já para a professora do Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, Maria Fernanda Laus, um fator que ajuda no diagnóstico dos distúrbios é a chamada distorção de imagem, situação que pode se apresentar de duas formas: a superestimação – quando a pessoa vê o corpo maior do que de fato é, ou a subestimação – quando a pessoa enxerga o próprio tamanho menor do que de fato é. “Durante o tratamento do paciente, a influência sociocultural deve ser desconstruída e, em casos mais severos, é necessária uma equipe multidisciplinar para auxiliar no tratamento do indivíduo”.

A pressão estética por corpos magros é tão grande que levou pesquisadores da Nova Zelândia a desenvolverem um dispositivo com ímãs que permite a abertura da boca apenas para uma alimentação de base líquida. Mas a pesquisadora Ana Flávia alerta que “isso vai contra o que os profissionais da saúde devem priorizar, que é promover o bem-estar físico e mental do indivíduo”. 


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