Impactos da pandemia do coronavírus poderiam ter sido minimizados

Pedro Luiz Côrtes acredita que o Brasil poderia ter agido com mais rapidez na antecipação de medidas de prevenção

Muitos são os efeitos causados pela pandemia do novo coronavírus. A maioria deles poderia ter sido minimizada desde janeiro, quando o problema estava apenas concentrado no continente asiático. A falta de planejamento estratégico e de planos de contingência que mitigariam os impactos aqui no Brasil vão além dos prejuízos à saúde.

O professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, disse ao Jornal da USP no Ar que “essa epidemia já se anunciava em janeiro e progrediu rapidamente da China para outros países. Praticamente nada foi feito até recentemente [no Brasil]. O que o governo federal, estados e grandes municípios com recursos tinham que ter feito era montar uma equipe multidisciplinar para estabelecer cenários [de combate ao vírus]”.

Seriam três cenários analisados: o primeiro mais brando, onde a doença não teria uma abrangência significativa; um outro cenário mediano e outro mais intenso, em que essa situação se agravaria. A partir disso, seriam escolhidas as medidas para evitar esses cenários, verificando com antecedência, por exemplo, a quantidade de leitos hospitalares, o funcionamento do comércio e dos transportes. Caso isso tivesse acontecido, haveria a antecipação de uma série de ações que estão sendo tomadas apenas agora.

E as consequências econômicas podem ser grandes, alerta o professor: “Temos uma massa significativa de pessoas que atuam de maneira informal, ou seja, sem carteira assinada. Portanto, elas possuem maiores dificuldades de acesso a diversos tipos de programas que o governo poderia destinar para resguardar essas pessoas que ficam sem renda”, analisa Côrtes. Ele também fala que as medidas anunciadas estão longe de constituir um alento para que essas populações sejam melhor assistidas nesse período.

Segundo Côrtes, a própria adoção de políticas macroeconômicas convencionais pelo governo federal, utilizadas para lidar com esse tipo de crise, é inócua. “O que o governo precisaria fazer é constituir linhas de crédito e atuar diretamente com as pessoas que não possuem nenhum tipo de seguridade social. Nos últimos anos se incentivou o empreendedor social, a atuação do indivíduo como pessoa jurídica”, aponta o professor. “Quando ocorre esse tipo de situação, ela não tem seguro-desemprego, não possui facilidade de acesso a linha de crédito. Vários profissionais individuais e liberais acabam ficando sem o devido resguardo.”

Ouça a entrevista completa no player acima.


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