Ignorância permite implementação de políticas públicas nocivas

Entender ignorância como fenômeno social possibilita traçar estratégias contra desinformação, diz sociólogo

jorusp

O que é a ignorância, como estudá-la e como lidar com ela são as questões centrais a serem discutidas no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP por meio do ciclo de sete seminários O Que a Ignorância Tem a Nos Ensinar? O psicólogo comportamental, professor e escritor Stuart Vyse, especialista em superstição e comportamento irracional, será o conferencista do seminário de abertura do ciclo. Seu tema será Por Que as Pessoas Acreditam no Que Acreditam. O evento é promovido em conjunto com o Instituto Questão de Ciência (IQC).

Pós-doutorando no Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o pesquisador Lenin Bicudo Bárbara ministrará o segundo seminário: Ignorância e Sociedade: Reflexões Filosóficas e Sociológicas sobre a Ignorância. “Minha pesquisa, no mestrado, parte da perspectiva filosófica da ignorância. Se trata de entender a ignorância como processo, em sua totalidade, e sem preconceitos. E depois no doutorado, levei essa experiência para a forma de pesquisa da teoria social”, esclarece ao Jornal da USP no Ar.

“Na medida em que se entende a ignorância como fenômeno social, é possível compreender a reação da própria sociedade. Assim, se identifica as estratégias de manejo da ignorância. Além disso, se indica como desinformação gera desinformação, em um ciclo vicioso”, argumenta Bárbara.

Nesse sentido, o pesquisador lembra do seminário O que são fake news? A palestra será ministrada por Gilmar Lopes, analista de sistemas e criador do site e-farsas. “O objetivo é pegar esse tema da teoria da ignorância, que tem certa tradição na academia, e relacioná-lo com o momento atual. Trazer novas perspectivas às pesquisas, e, deste modo, ter uma maior clareza da conjuntura, com o intuito de oferecer soluções à sociedade”, aponta o sociólogo.

A urgência do tema é grande. Há grupos que negam a eficiência das vacinas. Outros, retomam o obscurantismo da terra plana. Resta a negação ao próprio método científico. Por isso, o ciclo contará com diversas especialidades do pensamento. O professor Marco Antonio Correa Varella, do Instituto de Psicologia (IP) da USP, discorrerá sobre a Teoria da Evolução, outro alvo frequente dos ataques conspiratórios.

E esses desdobramentos têm efeitos colaterais, pois englobam a opinião pública. Desta maneira, tem potencial político, como visto em diversos processos eleitorais, à exemplo dos pleitos enviesados por fake news, no Brasil, Estados Unidos, Hungria, entre outros países. “Para além, permite a implementação de políticas públicas baseadas em dados cientificamente incorretos. As consequências disso vêm no longo prazo”, declara Bárbara.

Serão dois seminários por mês, de agosto a novembro. O evento é aberto ao público. Para se inscrever ou ter mais informações clique neste link. As palestras do IEA são transmitidas ao vivo neste site.


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