Identificar fatores de risco psicossociais evita adoecimento no trabalho

Para o psicólogo José Carlos Zanelli, é preciso tanto investimento das empresas quanto criação de políticas públicas nesse sentido

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Foto: Carlos Zanelli

O estresse é a segunda maior causa de afastamentos do trabalho, segundo a Previdência Social. Mas, até 2020, ele será o principal responsável pela ausência dos trabalhadores. Como então as empresas podem identificar os fatores de risco psicossociais para seus colaboradores? Para responder a essa pergunta e discutir o ambiente de trabalho atual, o USP Analisa desta semana recebe o psicólogo e pesquisador José Carlos Zanelli.

Ele explica que os chamados fatores de risco psicossociais não são um tema de estudo recente e estão basicamente relacionados à própria organização. “São fatores que predispõem a danos como ansiedade, depressão, estresse. Eles são vinculados a interações humanas, como se dão as relações com aquelas pessoas que trabalham em determinada unidade, são fatores vinculados à própria organização. Pouquíssimas organizações têm políticas voltadas a riscos psicossociais. É óbvio que nós deveríamos ter políticas de natureza maior, em termos nacionais. Políticas públicas, sem dúvida, como vários países aqui na América Latina já têm. Temos as normatizações, as NR (Normas Reguladoras), mas é uma coisa muito incipiente ainda, se você comparar com países como a Bélgica, que tem uma legislação bastante cuidadosa em relação a esses fatores de risco.”

Para Zanelli, os avanços tecnológicos têm um grande papel no aumento do adoecimento por questões ligadas ao trabalho, porque provocaram uma aceleração do tempo psicológico. “Isso certamente está associado à reestruturação do trabalho que vem acompanhando essa inovação. Quando se fala em inovação, se pensa em inovação tecnológica, mas nós temos, por exemplo, inovação de relações de trabalho, e são inovações em vários campos. Quem viveu as décadas de 1960, 1970 e 1980 sabe que a vida era mais leve. De repente tudo começou a correr, as pessoas não têm mais tempo para visitar os amigos, parentes, as pessoas levam trabalho para casa”, diz ele.

O USP Analisa é uma produção conjunta da Rádio USP Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.

Ouça a entrevista na íntegra no link acima.

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