Ideia de um salvador da pátria foge da racionalidade

Renato Janine lembra que vai contra todo o bom senso a figura do salvador que nos liberta de todos os malefícios

Por que, diante de crises políticas, a sociedade brasileira sempre pede a figura de um salvador da pátria, que venha resolver todos os nossos problemas? Esse é o tema da semana da coluna do professor Renato Janine Ribeiro, na Rádio USP FM.

Janine lembra que, no passado, isso foi chamado de sebastianismo, termo surgido a partir da figura de Dom Sebastião, rei de Portugal, desaparecido em 1580 na Batalha de Alcácer-Quibir, em que foi morto. A lenda diz que o corpo do rei havia desaparecido, então o povo português ficou esperando seu retorno, para que pudesse salvá-los de todos os problemas ocasionados a partir de seu desaparecimento.

O professor recorda das eleições presidenciais de 1989, quando o vitorioso Fernando Collor de Mello foi apontado por alguns como sendo o salvador. “Me chamou a atenção, em especial, que alguém que tenha servido à ditadura, nele se depositassem esperanças de melhora da condição dos mais pobres. E me lembrei de uma passagem dos padres da igreja católica que diz ‘creio porque é absurdo’”, conta o professor. “Não é ‘creio apesar de ser absurdo’. Se não fosse absurdo, eu teria conhecimento, teria razão, e como é uma questão absurda, somente a fé justifica que eu creia”, explica o docente.

O professor amplia o sentido dessa expressão e diz que se trata da esperança do milagre, que o impossível aconteça: Collor, um senhor tradicional do Nordeste, ligado aos setores mais tradicionais da economia, emancipar economicamente os mais pobres. “Pode ser que, por isso mesmo, seja a esperança de muita gente”, diz Janine.

Ouça, no link acima, a íntegra da coluna Ética e Política.

Textos relacionados