Hipertensão atinge um terço dos adultos no Brasil e pode agravar quadro de covid-19

Luiz Aparecido Bortolotto alerta para complicações cardiovasculares, como infarto e AVC, e piora no quadro de pacientes hipertensos com coronavírus

 11/05/2021 - Publicado há 6 meses

Hipertensão – Foto: Rais Data – Flick

No Brasil, estima-se que de 33% a 35% da população adulta seja hipertensa. Considerando apenas pessoas acima dos 60 anos, esse porcentual pode chegar a 65%. Porém, cerca de 30% a 50% dos brasileiros desconhecem o diagnóstico da doença, que pode agravar o quadro de pacientes com covid-19, principalmente se estiver associada a comorbidades, como diabete e obesidade, e se o paciente for maior de 60 anos.

O professor Luiz Aparecido Bortolotto, do Departamento de Cardiopneumologia da FMUSP e diretor da Unidade de Hipertensão Arterial do Instituto do Coração (Incor), explica ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição que a hipertensão continua sendo o principal fator de risco responsável pelas principais complicações cardiovasculares quando não tratada – como infarto, AVC, prejuízos na função renal e insuficiência cardíaca. “Dos cerca de 70% que têm o diagnóstico e que estão tratados, só 20% a 30% estão sob o controle que a gente gostaria”, afirma Bortolotto. Ele chama a atenção para o fato de que o hipertenso descontrolado ou que apresenta problemas cardíacos ou renais da hipertensão está mais suscetível a complicações do coronavírus. “Então, além do tratamento da covid, é muito importante manter a pressão controlada desses pacientes infectados que acabam vindo ou para cá [InCor] ou para o Hospital das Clínicas”, reiterando que a medicação para o controle da hipertensão deve ser mantida durante o tratamento da covid-19.

Luiz Aparecido Bortolotto – Foto: Cecilia Bastos / USP Imagens

Segundo Bortolotto, cerca de 90% dos indivíduos hipertensos não vão sentir nenhum sintoma, então o diagnóstico deve ser feito pela medida da pressão. “Alguns desses 10% podem ter algum sintoma que a gente chama de alerta, como uma dor de cabeça persistente, uma tontura, um sangramento no nariz e outros sintomas que podem ser alertas das complicações da hipertensão, principalmente cardíaca, como falta de ar, dor no peito, por isso é importante medir a pressão”, explica o professor. Das medidas de prevenção, as principais incluem manter um peso adequado, uma dieta adequada, com menor quantidade de sal – 5 g de sal por dia ou 2 g de sódio –, atividade física regular e controle do estresse. “A grande maioria dos indivíduos tem que tomar medicação de uso crônico. Essa é a principal dificuldade. Nesse ponto, há uma gama enorme de medicamentos, inclusive a maioria das medicações que são usadas para hipertensão está disponível na rede de forma gratuita, então, dá para controlar a pressão de forma bem adequada com as medicações que a gente dispõe, sabendo usar corretamente”, afirma.

A Associação Brasileira de Hipertensão realiza uma campanha para auxiliar na orientação aos hábitos saudáveis de vida, com podcasts nas redes sociais. Luiz Bortolotto afirma que, “mesmo em casa, pode-se fazer atividade física regular, uns 30 minutos, isso é muito importante”. No Incor, haverá uma live com dicas importantes no Dia Mundial da Hipertensão, 17 de maio.


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