Há riscos em procedimentos estéticos sem bisturi

Cirurgião alerta para perda estética e funcional com procedimento feito por profissional não habilitado

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Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Os procedimentos estéticos menos invasivos, sem bisturi, parecem ser realmente eficientes e vêm atraindo muitos pacientes. Os motivos vão desde o preço à praticidade e a um propalado “menor risco”, tanto com relação à anestesia como com relação a efeitos finais indesejados. No entanto, esses procedimentos não são inofensivos e precisam ser realizados por médicos habilitados para tal. O conhecimento perfeito da anatomia é fundamental. Jornal da USP no Ar conversou sobre o assunto com o professor Flavio Hojaij, do Laboratório de Anatomia do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP e especialista em cirurgia de cabeça e pescoço.

Essas medidas estéticas podem não ter bisturi, mas continuam com o uso de agulhas, colocação de cânula e de substâncias químicas. É um erro pensar que, como não vai ter corte ou anestesia, o risco é baixo. “Muito pelo contrário. Como não é possível enxergar o que se está fazendo, apenas imputar uma anatomia, é preciso ter um treinamento muito bom para submeter o paciente a isso”, afirma Hojaij.

Uma injeção ou preenchedor mal colocado em estruturas como a pele ou veias podem gerar um efeito contrário ao proposto. Além de uma perda estética, pode existir uma perda funcional enorme também. “Onde gostaria de um ganho estético, é possível ter uma perda estética e, mais ainda, uma perda funcional enorme. É isso que mais assusta”, complementa o especialista.

Profissionais não treinados podem oferecer um preço muito mais acessível para as pessoas. “Infelizmente, é possível ver nas mídias sensacionalistas que, às vezes, o indivíduo faz uma injeção de substância clínica dentro de um apartamento ou hotel”, mas Hojaij enfatiza a necessidade de um profissional com grande base teórica em anatomia e especialização para realizar os procedimentos com menor risco.

A cegueira é um dos exemplos de consequência negativa que podem acontecer. “Os vasos da face se comunicam com os vasos que fazem a irrigação e a drenagem das estruturas oculares. Então se eu tiver, inadvertidamente, uma injeção dentro de uma veia que se comunica com uma veia ocular, eu posso ter uma trombose dos vasos da retina e uma perda de visão”, explica.

Outro caso é a necrose do nariz devido a um preenchimento na região de sulco nasolabial, que fica entre o lábio e a região nasal, “uma área em que há ramos de artéria facial que se interligam até a asa do nariz”. A inflamação das glândulas salivares também é um risco: “Isso acontece se o preenchimento na região de ângulo da mandíbula, para ficar com a face mais quadrada e robusta, não for colocado no lugar certo e atingir as glândulas salivares.”

Àqueles que se interessam em realizar procedimentos estéticos menos invasivos, Hojaij indica que é de suma importância que o profissional saiba cuidar de possíveis complicações. “Além de saber fazer, por ter uma habilitação grande na área, é preciso avaliar se ele sabe cuidar de complicações ou se possui uma equipe capaz de auxiliar com isso.”

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