Greve dos caminhoneiros tem aspectos políticos e sociais próprios

Ausência de pauta bem definida e de liderança centralizada são algumas das marcas que influem nas negociações

jorusp

Desde as manifestações contra o aumento da passagem, em 2013, os movimentos sociais, historicamente hierarquizados e com lideranças políticas bem definidas, têm se tornado cada vez menos descentralizados e horizontais. O mais recente exemplo desse processo é o movimento grevista dos caminhoneiros. Economista, doutor em Ciência Política pela USP e diretor-executivo da Transparência Brasil, Manuel Galdino explica que o movimento representa uma nova situação de organização dos cidadãos.

Caminhoneiros ocupando trecho da Rodovia Presidente Dutra – Foto: Tomaz Silva / Ag. Brasil via Fotos Públicas / CC BY-NC 2.0

Galdino conta que a falta de perspicácia do governo em mapear e lidar com esse novo movimento grevista dificulta as negociações. A construção horizontal do movimento se estende às pautas, o que gera reivindicações próprias e específicas dentro do movimento, como a saída do presidente Michel Temer, e a intervenção militar, cenário que cria confusão nas negociações com o governo.

O economista alerta que, para o fim da greve, é necessário entendimento de qual é a massa crítica dentro do movimento e suas reivindicações. Isso tornaria mais fácil lidar com aqueles que não concordam com os acordos, provocando a perda de impacto, e eventualmente levar ao retorno às atividades normais.

Jornal da USP no Ar, uma parceria do Instituto de Estudos Avançados, Faculdade de Medicina e Rádio USP, busca aprofundar temas nacionais e internacionais de maior repercussão e é veiculado de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 9h30, com apresentação de Roxane Ré.

Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 93,7, em Ribeirão Preto FM 107,9, pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular. Você pode ouvir a entrevista completa no player acima.

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