Glaucoma é o maior ladrão da visão

A afirmação é do titular de Oftalmologia do HC, Remo Susanna Jr., em entrevista à Rádio USP

Por - Editorias: Atualidades, Rádio USP
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Campanha contra o Glaucoma – Foto: IAPB/VISION 2020 via Visual Hunt / CC BY-NC-SA

Neuropatia óptica caracterizada pela perda progressiva do campo visual, o glaucoma representa hoje 12,3% dos casos de cegueira no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, estima-se em cerca de 1 milhão os casos da doença, com incidência de 2 e 3% na população acima de 40 anos, de acordo com dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Dos cerca de 1 milhão de glaucomatosos, 50% ou mais não sabem que são portadores da doença. A estimativa é que até 2020 o glaucoma deverá atingir  80 milhões de pessoas em todo o mundo.

Ao contrário do que ocorre com a  catarata, a cegueira provocada pelo glaucoma é irreversível – e silenciosa, pois a forma mais comum da doença não apresenta sintomas. “A pessoa não se apercebe, a não ser quando já perdeu 90% de seu nervo óptico”, revela o oftalmologista Remo Susanna Jr., titular da disciplina de Oftalmologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O nervo óptico – que tem cerca de 1 milhão de fibras nervosas – é que faz a comunicação entre o olho e o cérebro, explica o médico.  É ele que leva a imagem que o olho capta para o cérebro interpretar. Ao ser danificado por conta do glaucoma, essa comunicação é interrompida, ou seja, “o indivíduo tem o olho normal, tem o cérebro perfeito, mas eles não se falam, e o indivíduo fica cego por causa dessa lesão no nervo óptico”.

Close de um glaucoma – Foto: Divulgação / EBC

Ao contrário do que se pensava no passado, o glaucoma é uma doença do nervo óptico, nada tendo a ver com a pressão ocular, pois há casos de instalação da doença mesmo quando a pressão do olho está baixa. “É uma doença do nervo, depende da resistência dele à pressão ocular”, explica o dr. Susanna Jr. Geralmente, a moléstia aparece a partir dos 45 anos – a incidência aumenta na medida em que se fica mais velho. A partir dos 70 anos, a incidência da doença sobe para 10%.

O doutor Susanna Jr. revela que casos de glaucoma possuem um componente hereditário importante. Não por acaso, portanto, pessoas com parentes glaucomatosos apresentam chances até dez vezes maiores de desenvolver a doença. Por isso, é importante que todo ano façam visitas periódicas ao oftalmologista, pois é a única forma que se conhece de detectar o glaucoma e tratá-lo. O oftalmologista dá uma dica importante: sempre perguntar ao médico sobre a pressão do olho e – ainda mais importante – a respeito de como está o nervo óptico.

Foto: National Eye Institute, National Institutes of Health / Public Domain via Wikimedia Commons

Para quem não tem casos da doença na família, uma visita ao oftalmologista no mínimo a cada dois anos é suficiente. Uma vez detectada, a moléstia é tratada com colírios – caso isso não funcione, apela-se para o laser. De 10% a 15% dos pacientes que ficam cegos devido ao glaucoma não aplicaram o colírio corretamente. Também há casos em que a cirurgia é indicada, assim como a colocação de implantes no olho. O dr. Susanna Jr. esclarece que já existe um implante totalmente nacional, a um custo menor do que o existente nos EUA.

No Brasil, a preocupação com a doença é tanta que, em 26 de maio passado, comemorou-se  o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma. Já nos Estados Unidos, uma pesquisa deixou claro que os dois maiores temores da sociedade são: desenvolver um câncer incurável e perder a visão.

 

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