Fiscalização do uso de agrotóxicos é desafio para presidente eleito

Especialista analisa ano ambiental de 2018 e apresenta os desafios e perspectivas para o novo governo

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Ao longo do ano de 2018, o Jornal da USP No Ar discutiu diversos temas relacionado ao meio ambiente, apresentando propostas viáveis para serem adotadas pela sociedade e governantes, além de desenhar as perspectivas do cenário ambiental. O professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes (ECA), do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP e do Projeto Temático FAPESP: Governança Ambiental da Macrometrópole Paulista face à Variabilidade Climática, destaca alguns dos assuntos abordados ao longo deste ano.

Um deles foi o Sistema Cantareira, que, mais uma vez, apresentou níveis abaixo dos desejáveis : 40% na época mais chuvosa do ano, demonstrando as dificuldades de recuperação do reservatório. O professor afirma que o Cantareira não terá tão boas novidades assim no próximo ano. “Estamos na entrada do fenômeno El Niño. Só que é um El niño com características interessantes, que não ajuda na recarga dos mananciais. Primeiro, que ele foi diagnosticado como um evento fraco. Quando se tem a entrada de um El Niño forte, isso pode trazer chuva nova para a região sudeste. E ele vai provocar um aumento na temperatura. Isso acarreta duas questões: aumenta o consumo de ar — o que é natural — e aumenta a evaporação dos reservatórios”.  

E, durante este ano, a bandeira vermelha vigorou. Ou seja, a tarifa da conta de luz ficou mais cara por conta, justamente, dos baixos níveis dos reservatórios de água. Com isso, a geração de energia foi auxiliada pelas termelétricas. “A gente teve um uso intenso de termelétricas e foi necessário elevar ainda mais o valor da tarifa. Isso mostra que a nossa matriz de geração elétrica  vem sendo carbonizada, ou seja, cada vez mais emite CO2”, destaca o especialista. Mas também houve notícia positiva sobre a geração de energia: aumentou a geração de energia eólica no Nordeste.  

Foto: Wikimedia Commons – CC

As grandes cidades também figuraram nas sextas-feiras do Jornal da USP No Ar. Foi levantado se as metrópoles brasileiras têm estrutura para suportar eventos intensos da natureza. “Os últimos fenômenos mostram que, realmente, nós não temos planejamento para enfrentar esse tipo de problema. Nós corremos sempre para resolver o problema quando ele já aconteceu. Não tem uma atitude preventiva”, diz o professor Côrtes. O combustível também foi questionado por conta das alternativas que deveriam ser priorizadas na cidade de São Paulo — e também com o contexto da Greve dos Caminhoneiros —, tendo como exemplos algumas cidades europeias. “A gente tem uma lei de mudanças climáticas no município que previa a substituição da nossa frota por energias limpas e renováveis. Isso não aconteceu e continua não acontecendo”.

Desenhando um cenário futuro — e quase real — do ano que chega à porta, o especialista destaca a tendência do novo governo de entrelaço entre os Ministérios de Meio Ambiente e da Agricultura e a aprovação de alguns projetos que agradam a bancada ruralista. “É importante ver como vão propor essa flexibilização para que não ocorra um processo de leniência ou um abrandamento da fiscalização”. Dentre os desafios para a equipe de Jair Bolsonaro, o maior — eleito acirradamente com o Acordo de Paris pelo professor Côrtes — é a questão da fiscalização do uso de agrotóxicos.

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