Fazer uma CPI nas universidades é uma forma de ideologizá-las

Para Renato Janine, é uma inverdade dizer que as universidades estaduais são antros de dominação, seja de esquerda ou de direita

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Para o colunista Renato Janine Ribeiro, é preocupante a instalação de uma CPI para investigar as universidades públicas estaduais paulistas, pois a iniciativa está baseada em uma inverdade: de que elas seriam lugares de propaganda política de esquerda. Janine destaca que é uma falsidade achar que a USP, a Unicamp e a Unesp são antros de doutrinação política de esquerda, ou mesmo de direita, embora tenha tanto gente de ambos espectros políticos, como gente que não segue nenhuma linha política.

Outro ponto levantado pelo colunista é que os docentes entraram por meio de um concurso público em que eles provaram, de alguma forma, a competência que tinham na matéria. Além disso, o professor lembra que, desde 1988, as universidades têm autonomia, assim como ela também existe na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e, em certa medida, também há na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

No caso da Fapesp e das universidades estaduais, o diretor e o reitor, respectivamente, são escolhidos pelo governador do Estado por meio de uma lista tríplice. “Isso dá um certo controle ao Estado, mas não pode ser um grande controle a ponto de colocar uma pessoa inepta. Das vezes em que isso ocorreu, pagou-se um preço caro por isso. Não é bom.”

Janine destaca que, mesmo Capes e CNPq, que neste momento estão sob um governo que não é propriamente muito simpático à educação, à ciência e à tecnologia, têm uma comunidade científica que é extremamente atenta e que não gosta quando é indicado alguém que não tem mérito acadêmico.

“E aí chegamos à grande questão: o que distingue uma grande e boa universidade, e felizmente as três paulistas estaduais estão neste papel, é o mérito, é a preocupação com a qualidade do conhecimento, e isso não pode ser subordinado a valores ideológicos”, destaca o colunista. “Fazer uma CPI que vai investigar a ideologia das universidades é ideologizar as universidades, é fazer exatamente o contrário do que deve ser feito para valorizar o conhecimento, condição essencial para valorizar a economia e a sociedade em nossos dias”, finaliza.

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